sexta-feira, 21 de junho de 2013

Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho

Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho! No início dessa grande obra da literatura espírita, Humberto de Campos relata a decisão do Cristo de transplantar para a “Terra do Cruzeiro” a árvore do seu Evangelho. Anteriormente, a Palestina figurava como o local escolhido para receber a mensagem do bem, do amor e da transformação moral da humanidade que caminha na sua trajetória evolutiva.
A missão espiritual do Brasil é, atualmente, analisada e debatida em vários círculos de estudo. Busca-se entender, lançando mão da interdisciplinaridade, o que o Brasil tem para oferecer em um momento de transição do mundo de expiação para o mundo de regeneração.
O Brasil é um país conciliador e articulador de consensos, que tem como princípios da ação internacional a defesa da paz e a solução pacífica de controvérsias. O povo brasileiro carrega a esperança e a felicidade em tudo que faz. O otimismo e a crença em dias melhores impulsionam essa população de guerreiros que atravessa as adversidades com a certeza de que tudo vai dar certo. Brilha no Brasil um sol intenso e vibra no brasileiro a energia do bem.
  Divaldo Franco postula que o Brasil desempenhará sua missão espiritual quando houver maturidade emocional e maturidade espiritual suficientes que permitam ao povo compartilhar de suas riquezas de maneira honrada e digna, sem escravizar outros povos, a fim de que a fraternidade entre as nações se estabeleça e para que o comércio não se dê entre a soberania de um povo e a opressão de outro. Mas de que comércio falamos? Não seria a missão do Brasil exportar valores éticos e morais? Sim! Também! Todavia, além de celeiro da prática do bem e da caridade, o Brasil é celeiro dos recursos naturais e agrícolas da humanidade. É reservada missão de comportar o abastecimento diante da escassez, porém, não é possível fazê-lo explorando. Deve haver a dignidade da partilha igualitária.
Aqui chegamos a um ponto fundamental! A igualdade! Palavra de ordem que insufla os ânimos e ascende a esperança. A questão 806 do Livro do Espíritos esclarece: 


CAPÍTULO IX
DA LEI IGUALDADE

Desigualdades sociais

806. É lei da Natureza a desigualdade das condições sociais?

“Não; é obra do homem e não de Deus.”

a) - Algum dia essa desigualdade desaparecerá?

“Eternas somente as leis de Deus o são. Não vês que dia a dia ela gradualmente se apaga? Desaparecerá quando o egoísmo e o orgulho deixarem de predominar. Restará apenas a desigualdade do merecimento. Dia virá em que os membros da grande família dos filhos de Deus deixarão de considerar-se como de sangue mais ou menos puro. Só o Espírito é mais ou menos puro e isso não depende da posição social.”

            A questão nos mostra que haverá um dia em que a desigualdade terá seu fim e a meritocracia se fará presente como meio de distinção entre os indivíduos. Contudo, para se alcançar esta igualdade, caminhada silenciosa e profunda deve ser feita no íntimo de cada indivíduo, célula do organismo universal. A resposta a todas as mudanças está no silêncio do interior de cada consciência. Somente a ação persistente na reforma íntima abrirá o caminho para a igualdade que se busca.
A verdadeira reforma deve ser feita no interior do ser e não na superfície da sociedade, como o fazem as revoluções, como pedem as manifestações!! É como subir um degrau de cada vez na escada da evolução!!
As modificações na estrutura política, econômica e social brasileira foram resultado de um processo pacífico, lento e gradual, sem alterações bruscas e violentas, ao contrário do que ocorre nas revoluções. Estas, quando se considera o contexto da Revolução Francesa, por exemplo, e a definição apresentada por Norberto Bobbio, estão relacionadas à criação de uma nova ordem, à ruptura com o passado opressor e desigual, utilizando-se da força e da violência, visando a um novo governo libertador, que, muitas vezes, sabemos que não o é, pois só representa outros interesses.
A pauta é legítima, dignidade, saúde, educação. Sábio, porém, é aquele que luta não contra a corrupção, mas em prol dos valores éticos e morais. Lutar contra a corrupção é reforçá-la. Em muitos levantes revolucionários anteriores, forças escusas utilizaram a insatisfação do povo para tomarem a liderança e abusar do poder.
Os riscos de uma revolução no Brasil não compensam os supostos ganhos que se reconhecem em países que passaram por processo revolucionário, de modo que a estabilidade política e a tradição pacifista são avanços que devem ser valorizados e preferidos ao caos revolucionário.
O fato de não ter passado por um processo revolucionário no curso de sua história fortaleceu a identidade pacifista, negociadora e de respeito às leis e instituições políticas nacionais. No Brasil, tanto a proclamação da independência quanto a da república foram processos relativamente pacíficos que não podem ser qualificados como revolucionários, pois estão mais relacionados à substituição das autoridades políticas no poder e devem ser caracterizados como golpe de Estado, do mesmo modo que o golpe militar de 1964.
As alterações profundas na estrutura política, jurídica e socioeconômica do Brasil foram graduais e resultantes de um processo mais amplo.
As mudanças que tiveram curso no Brasil foram lentas e ocorreram ao longo de décadas de transformação do modelo colonial e dependente, de forma que Caio Prado Júnior, já na década de 1940, afirmava que o Brasil ainda não tinha completado a transição de economia colonial para a nacional. A estrutura herdada da colonização portuguesa foi transformada no decorrer do século XX, quando o país implementou o modelo de industrialização por substituição de importações, quando se tornou mais urbano que rural, quando permitiu o sufrágio universal e, especialmente, quando passou a combater a cordialidade (na concepção apresentada por Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil), fazendo que a burocracia sobressaísse ao paternalismo.
Observa-se que, quando Sérgio Buarque de Holanda buscou identificar os obstáculos que travaram a modernização do Brasil e procurou entender como o passado deveria ser abolido para instaurar uma ordem democrática e popular no país, ele via revolução no Brasil como processo e não na concepção de Norberto Bobbio.
Considerando-se a sociedade brasileira contemporânea, qualquer revolução, por mais nobres que sejam seus objetivos, pode desequilibrar por completo a estrutura alcançada pelo país e tirar o mesmo do seu objetivo de desenvolvimento e inserção internacional e, principalmente, desviar o país de sua missão espiritual.
A história nos dá provas de que acontecimentos sociais interferem na missão espiritual. O livro “A Caminho da Luz” é uma fonte de exemplos quase inesgotáveis. Vejamos o exemplo da França. O livro Gestação da Terra também é uma boa indicação a respeito.
A Revolução Francesa foi antecedida pelas reflexões do iluminismo e da independência dos Estados Unidos da América, assolados pela opressão de um governo extravagante e Luís XVI, o povo via a fome aumentar junto com o preço do pão. Era o prenúncio das transformações dolorosas no mundo político Ocidental. Engana-se aquele que acredita que toda transformação deve ser pelo caminho da dor. O amor é a fonte verdadeira do bem.
A Revolução, que deveria, a princípio, ter servido como espaço para retirar da França os resquícios do feudalismo e da exploração, abrindo espaço para a chegada do Consolador, perdeu o rumo de sua trajetória. As transformações que tomam lugar na França, deveriam servir para aproveitar as conquistas inglesas no plano econômico e fazer o mesmo no plano político e administrativo. Deveria “quebrar o cetro da realeza absoluta, organizando uma nova administração  e renovação dos organismos políticos do orbe.”. Logo viria Kardec e sua iluminada mensagem espiritual. “Todavia, se alguns Espíritos se encontravam preparados para a jornada heroica daquele fim de século, muitas outras personalidades, infelizmente, espreitavam na treva o momento psicológico para saciar a sede de sangue e de poder.”.  Todo cuidado é pouco. Neste momento, é possível que ressurjam as antigas doutrinas de igualdade absoluta. Aparecerão ideologias propondo reformas radicais e imediatas.

“Grandes ideias florescem na mentalidade de então. Ressurgem aí, as antigas doutrinas de igualdade absoluta. Aparece o socialismo propondo reformas viscerais e imediatas. Alguns idealistas tocam a Utopia de Tomas More, ou a República perfeita idealizada por Platão. Fundam-se as alianças do anarquismo, as sociedades de caráter universal. Uma revolução sociológica de conseqüências imprevisíveis ameaça a estabilidade da própria civilização, condenado-a à destruição mais completa”. Isso está postulado na página 204 do livro “A Caminho da Luz”.
Desse primeiro trecho do Livro “A Caminho da Luz”, entende-se que  as mudanças bruscas representam um risco de ruptura do homem com seu processo de evolução. A infinita bondade e amor de Deus mostram-se mais uma vez presentes em prol da evolução de seus filhos quando tratamos do tema da distribuição da riqueza e do socialismo.
A desigualdade existe como mecanismos para purificar os homens e somente será vencida quando a reforma íntima de cada um estiver completa. Isto não é uma defesa da miséria e opressão. Jamais. Saibamos diferenciar.
O Evangelho Segundo o Espiritismo afirma que:
“A desigualdade das riquezas é um dos problemas que inutilmente se procurará resolver, desde que se considere apenas a vida atual. A primeira questão que se apresenta é esta: Por que não são igualmente ricos todos os homens? Não o são por uma razão muito simples: por não serem igualmente inteligentes, ativos e laboriosos para adquirir, nem sóbrios e previdentes para conservar. É, aliás, ponto matematicamente demonstrado que a riqueza, repartida com igualdade, a cada um daria uma parcela mínima e insuficiente; que, supondo efetuada essa repartição, o equilíbrio em pouco tempo estaria desfeito, pela diversidade dos caracteres e aptidões; que supondo-a possível e durável, tendo cada um somente com o que viver, o resultado seria o aniquilamento de todos os grandes trabalhos que concorrem para o progresso e bem-estar da Humanidade; que, admitido desse ela cada um o necessário, já não haveria o aguilhão que impele os homens às grandes descobertas e aos empreendimentos úteis. Se Deus a concentra em certos pontos, é para que daí se expanda em quantidade suficiente, de acordo com as necessidades”.
Isso não significa que o homem não tenha por missão ajudar, pelo princípio da caridade, seus irmãos que se encontram em condições de sofrimento e miséria. Significa sim que tudo tem uma razão de ser, e se o homem precisa aprender a repartir as riquezas, precisa, do mesmo modo, compreender que essa divisão não pode ir contra a estrutura desenvolvida por Deus para nossa evolução.
Desse modo, observa-se o risco que representam as teorias de igualdade absoluta, as quais, teoricamente admiráveis, não servem para o homem terreno em seu atual estágio de evolução. Antes de tratar do socialismo, entretanto, faz-se importante, pequena assertiva sobre as reformas sociais que tendem a tornar os homens mais iguais. Estas são empreendidas em momentos da história escolhidos pela espiritualidade, a fim de contribuir, em doses certas com o progresso do homem. Contudo, quando essas reformas vão além do ponto onde deveriam e extrapolam o paralelismo que deve existir entre o estágio de evolução do homem e o grau de integração social, corre-se o risco de enfrentarmos crises profundas em nosso sistema organizacional como se deu durante a Revolução Francesa.
Não cabia à França prosseguir além do que lhe fora determinado: extirpar o absolutismo e iniciar um novo processo para reformar o organismo político gradualmente. Cabe-nos velar pelo andamento das reformas que se empreendem em nosso país e no mundo. No Brasil, o risco se apresenta na efetivação de reformas bruscas na estrutura social do país, o que pode desviar o Brasil de seu caminho de se tornar a Pátria do Evangelho. 
No livro A Caminho da Luz, Emmanuel esclarece os riscos do socialismo para a humanidade: “O Espiritismo com as verdades da reencarnação, veio explicar o absurdo das teorias igualitárias absolutas (socialismo e comunismo), cooperando na restauração do verdadeiro caminho do progresso humano. Enquadrando o socialismo nos postulados cristão, ele (os Espiritismo) não se ilude com as reformas exteriores, para concluir que a única reforma apreciável é a do homem íntimo, célula viva do organismo social de todos os tempos, pugnando pela intensificação dos movimentos educativos da criatura, à luz eterna do Evangelho do Cristo.” Pág 206.
Assim, apesar da dificuldade em admitir que não se deve empreender reformas sociais profundas, precisa-se considerar que é necessário antes, reformar o homem, a célula, para que esta esteja apta a conviver em uma sociedade mais igualitária. A consciência humana ainda é incapaz de viver harmoniosamente em uma estrutura social pautada na verdadeira cooperação.
Ainda de acordo com o Emmanuel, (O Espiritismo) “Despreocupado de todas as revoluções, porque somente a evolução é o seu campo de atividade e de experiência (...) ensina a fraternidade legítima dos homens e das pátrias, das famílias e dos grupos, alargando as concepções de justiça econômica e corrigindo o espírito exaltado das ideologias extremistas”.
“As teorias sociais continuam tocando, muitas vezes, a curva tenebrosa do extremismo”. Pág 207. Assim, enfatiza-se o risco de se compactuar com governos que possuem visões diversas dessas concepções espirituais de evolução do ser humano. Corremos o risco de apoiar ideologias preocupadas com a perpetuação do poder e que, para tanto, imprimem reformas sociais que vão modificar, tão somente, o lado exterior da sociedade e ainda sob o risco de fortes conflitos em virtude da não aceitação de muitos em relação às mudanças a serem empreendidas.
Cabe analisar friamente, e com base nos ensinamentos que o bom Deus nos oferta por meio de seus emissários, o verdadeiro sentido e missão da organização política em sociedade. Não devemos nos deixar iludir por reformas aparentes, mas buscar a verdadeira reforma, aquela que acontece dentro de cada um, dentro de cada ser e que vai se perpetuar por meio de vibrações de amor para toda humanidade, construindo, de fato, uma sociedade cooperativa e harmônica.

Ao Brasil, foi reservada a missão de evangelizar o mundo. Os brasileiros serão como os primeiros cristãos escravos políticos em Roma e que confortavam o povo com a mensagem de luz. Assim será o Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho. Para tanto, necessário se faz que o brasileiro mude, antes de tudo, sua postura íntima, deixando o oportunismo, o patrimonialismo, o “jeitinho”, a sonegação e tantas falhas morais que ainda assolam o país. Antes de sair e gritar por reformas nas ruas, devemos analisar o quanto esse governo não reflete o povo que ele governa! Cada povo tem os líderes que merece! Iniciemos a mudança em nossos corações e nossas mentes, para mudar a estrutura política. A mudança deve ocorrer de célula em célula para contagiar o organismo. Caminhamos para uma nova era, na qual o Brasil despertará como centro de amor, paz e justiça. Que assim seja. 

Daniela Marques Medeiros

segunda-feira, 10 de junho de 2013

O Espiritismo e as Relações Internacionais

DANIELA MARQUES MEDEIROS E RAPHAEL SPODE

Na caminhada terrena, a árvore da vida ramificou-se e dividiu o gênero humano em diferentes raças.1
Tais diferenças, notavelmente valorizadas em episódios bíblicos como a Torre de Babel, 2 tornam-se claras aos nossos olhos quando observamos a multiplicidade de Estados independentes que formam o nosso mapa-múndi. Cada Estado acolhe um povo, que “é uma grande família”,3 onde se reúnem Espíritos afins para uma nova existência.3 Entre si, os Estados formam uma sociedade: a sociedade de Estados ou a sociedade internacional.

Ainda que sejam independentes uns dos outros, os Estados exercem influência recíproca – ora se unem pela cooperação,ora se distanciam violentamente pela guerra e, como em muitas ocasiões, é preciso buscar “fora” aquilo que é escasso no ambiente doméstico, pelo que “as relações entre os povos constituem uma necessidade”.4

A Ciência Social que se dedica a estudar as relações entre os povos é denominada Relações Internacionais.*
Este campo de estudo acadêmico foi constituído formalmente com os recursos da moderna ciência social, no início do século XX. Sua importância está no fato de a população mundial dividir-se em diferentes comunidades políticas territoriais – os Estados independentes – que influenciam o modo de vida na Terra. Um campo de estudo distinto surge quando há motivação social suficientemente forte para canalizar energias e recursos no sentido de sustentar a reflexão sistemática e organizada sobre um conjunto de fenômenos.

Nas primeiras décadas do século XX, generalizou-se a percepção a respeito da necessidade de se institucionalizar o estudo das relações internacionais a partir de um propósito bem claro: pôr fim a todas as guerras. Assim, a partir de 1920, o estudo das relações internacionais disseminou-se pelas universidades norte-americanas e europeias,chegando ao Brasil em 1974.

A Doutrina Espírita e as Relações Internacionais – esta como disciplina acadêmica – formam importante interface por oferecer uma compreensão mais sistematizada do papel e dos deveres que o Brasil possui no mundo de regeneração e dos instrumentos existentes para a promoção da fraternidade entre os povos.

Por essa interface a Doutrina revela à nova geração de estudantes e pesquisadores brasileiros das Relações Internacionais vasto roteiro de investigações, de que, por ora, nos permitimos elucidar apenas dois. Em primeiro lugar, ela desvela a missão espiritual do Brasil no concerto dos povos.De acordo com Bezerra de Menezes, o Brasil recebeu a missão de implantar.

[...] a cruz da libertação das consciências de onde o amor alçará o voo para abraçar as nações cansadas de guerras,os povos trucidados pela violência desencadeada contra os seus irmãos [...] apontando o rumo novo do amor para que restaurem no coração a esperança e a coragem para a luta de redenção.

Segundo Humberto de Campos,a missão do Brasil tem ascendentes no mundo invisível e será não só “de suprir as necessidades materiais dos povos mais pobres do planeta, mas também facultar ao mundo inteiro uma expressão consoladora de crença e fé raciocinada”.7 Para Bezerra e Humberto, o Brasil afigura-se a pátria dos corações; sua missão é a missão evangélica de promoção da solidariedade e fraternidade universais. Como decorrência,o Espiritismo faculta um incentivo à pesquisa e promoção do estudo do Esperanto: a Língua Internacional Neutra, criada por Lázaro Luís Zamenhof e destinada a unir a Humanidade numa só expressão de entendimento e harmonia.“[...] Dois homens que falem idiomas diferentes são como dois trilhos paralelos em leito de ferrovia: jamais podem encontrar-se. Ou então para eles vigora este princípio: nada os une, tudo os separa. [...]”.8 A missão do Esperanto foi anunciada por Emmanuel, em 1940,pela psicografia de Chico Xavier,e associa-se ao compromisso normativo assumido pelas Relações Internacionais, como disciplina acadêmica.

[...] o Esperanto, amigos, não vem destruir as línguas utilizadas no mundo, para o intercâmbio dos pensamentos.A sua missão é superior, é a da união e da fraternidade rumo à unidade universalista. Seus princípios são os da concórdia e seus apóstolos são igualmente companheiros de quantos se sacrificaram pelo ideal divino da solidariedade humana,nessas ou naquelas circunstâncias.As mensagens que constituem a Doutrina Espírita são altamente graves para os pesquisadores, estudantes e atuadores das Relações Internacionais, sobretudo os brasileiros. De acordo com as suas revelações, o Brasil está destinado a desempenhar-se de compromissos com a “grande comunidade humana”,** ou melhor, com todos os indivíduos, povos e Estados que compõem a vida planetária e o meio internacional; isto exigirá um novo raciocínio das escolas de Relações Internacionais e renovadas práticas diplomáticas brasileiras. Enquanto alguns países exercem sua hegemonia na era da matéria como grandes potências – tendo por base teorias próprias de política internacional e práticas diplomáticas balizadas pelo princípio egoístico da razão de Estado –, a afirmar,“o que vale, acima de tudo, são os interesses nacionais” – o Brasil será uma potência da era do Espírito, “o pulsante coração espiritual da Humanidade”.10

Por tal motivo os estudantes e pesquisadores brasileiros precisam resgatar, desenvolver e aprimorar, a partir de já, tradições de pensamento e instrumentos que estejam associados com as expressões da nova sociedade, na qual o Brasil protagonizará: trata-se de um novo pensamento e uma nova prática sobre e para as relações internacionais, amparados nos princípios da Doutrina Espírita, nas revelações espirituais e nos valores morais do Evangelho de Jesus.

I n i c i a l - mente, uma nova disciplina intelectual será exigida no campo dos estudos internacionais do Brasil – das universidades ao Instituto Rio Branco – para que se desdobre o estrito sentido político-econômico que se dá atualmente à pátria, à diplomacia e às instituições internacionais para as suas verdadeiras significações espirituais. Inicia-se, portanto, um movimento de pensamento acadêmico em favor dos regimes internacionais de respeito à paz, ao amor e à caridade.

 Na hora em que a Pátria do Evangelho ascende e avulta no concerto dos povos, torna-se inadiável o refletir a respeito da responsabilidade de se levantar a bandeira “Deus, Cristo e Caridade” nos programas de Relações Internacionais do Brasil.Estando unidas, a ciência espírita e a ciência política internacional,mais depressa se prepararão os meios para o advento da paz perpétua.

Referências:
1KARDEC, Allan. O livro dos espíritos.Trad. Guillon Ribeiro. 92. ed. 2. reimp.Rio de Janeiro: FEB, 2012. q. 52 a 54.
2GÊNESIS, 11:1 a 9.
3KARDEC, Allan. O livro dos espíritos.Trad. Guillon Ribeiro. 92. ed. 2. reimp.Rio de Janeiro: FEB,
2012. q. 215.
4______. O evangelho segundo o espiritismo.Trad. Guillon Ribeiro. 130. ed. 2.reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2012. cap.16, it. 7.
5Cf. SATO, Eiiti. Relações Internacionais como área do conhecimento e sua consolidação nas instituições de ensino e pesquisa. In: POSSAS, Lídia M. Vianna;SALA, José Blanes. (Orgs.) Novos atores e relações internacionais. São Paulo: Cultura Acadêmica; Marília: Oficina Universitária, 2010. p. 336.     6MENEZES, Bezerra de. O Brasil e a sua missão histórica de “Coração do mundo e pátria do Evangelho” In: SOUZA, Juvanir Borges de. (Org.) Bezerra de Menezes, ontem e hoje. 4. ed. Rio de Janeiro:FEB, 2009. p. 183.   
7CAMPOS, Humberto de. Brasil, coração do mundo, pátria do evangelho. 33. ed.2. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Prefácio, p. 8 e 9; cap. Pátria do Evangelho,p. 210.
8FRANCINI, Walter. Doutor esperanto. 4.ed. Rio de Janeiro: FEB, 2000. cap. 3, p. 17. Ver também SCHLIKMANN, Kalyana Oriano. O esperanto como elemento ordenador da via multilateral. Trabalho de conclusão de curso de relações internacionais. UNIVALI: São José, 2009. Ver ainda SOARES, Affonso. A ideia de língua internacional.Reformador. ano 130, n. 2.201,p. 34(312) e 35(313), ago. 2012.
9EMMANUEL. A missão do Esperanto.Disponível em: .Acesso em: 20 de agosto
de 2012.
10MENEZES, Bezerra de. O Brasil e a sua missão histórica de “Coração do mundo e pátria do Evangelho” In: SOUZA, Juvanir Borges de (Org.). Bezerra de Menezes,ontem e hoje. 4. ed. Rio de Janeiro:FEB, 2009. p. 184 e 185.