domingo, 24 de outubro de 2010

Homem como célula do organismo universal


Vivemos tempos de mudanças, quando se faz necessário refletir o caminho que nos é correto seguir. Temos conosco ferramenta poderosa que pode controlar e definir o futuro da humanidade na Terra, a nossa mente. Deus, em sua infinita bondade e misericórdia, como Pai amoroso, quis nos dar a oportunidade de crescermos e evoluirmos juntos, unidos sob o ideal da fraternidade, da compreensão e do amor. Com esse propósito, o Pai nos deu a chance de compartilhar, de amar e de conviver com o diferente e acrescentar o que há de bom nele e nos falta, assimilando o que há de melhor e contribuindo para o desenvolvimento comum.
A mente, como importante mecanismo de nosso sistema, configura-se como nosso elo, nossa corrente que se conecta com o resto da humanidade, através de um fluxo de energias afins que nos une e permite a criação da vibração que pode servir a nossos ideais de reforma e evolução. O que pretendo argumentar é que: a mente humana é capaz de criar uma corrente de vibrações de amor, prosperidade e harmonia entre os povos, permitindo, por meio do inconsciente coletivo, a renovação do sistema, a revisão de comportamentos e o progresso da humanidade para uma era de amor e renovação.
Utilizaremos os ensinamentos do irmão Sebastião Camargo (sob orientação de Joana de Angelis) acerca do consciente celular no organismo vivo. Este consciente celular que pode alterar a evolução do sistema humano como um todo, pode nos ser muito útil para compreender o papel do homem como indivíduo social internacional. Em linguagem resumida e simplificada, a célula do nosso organismo, ou melhor, os átomos e todas as partículas menores que o compõem, interagem incansavelmente, respondendo a estímulos advindos de nosso campo energético.
A interação energética ocorre por meio da conexão de vibrações, as quais definirão o modo como a consciência desses pequenos organismos irá se desenvolver. Assim, nosso campo vibratório interfere diretamente em todo nosso organismo, sendo capaz de alterar o conjunto de nossos órgãos e de influenciar em nosso estado de saúde. Desse modo, como todos os seres criados por Deus possuem o consciente celular, somos capazes de interagir com esse ser e interferir em sua composição, alterando sua estrutura.
Pesquisas científicas já demonstraram como as células de água respondem diferentemente a vibrações positivas e negativas. Assim como a água, todas as células de nosso corpo respondem às nossas vibrações. Desse modo, ao ingerir um alimento, podemos orientar sua função dentro do nosso organismo de acordo com a vibração que a ele direcionamos, como também podemos orientar nossas células para se harmonizarem e reorganizarem nosso sistema, curando doenças e indisposições. Nossa ferramenta para alcançar essa possibilidade é o pensamento, a mente, nosso campo vibracional que vai interferir em todo nosso sistema. A compatibilização das vibrações vai alcançar todo sistema e nos tornar saudáveis.
Assim como no corpo humano, temos a reorganização celular para curar as enfermidades, no campo do sistema político e social internacional, temos o homem como o consciente celular, o qual tem o poder de reordenar o sistema por meio de sua reforma íntima, possibilitando a harmonização do todo por meio de sua conexão com as demais consciências que vibram na mesma sintonia.
Deste modo, o homem pode ser visualizado como célula do organismo universal, parte de um órgão vital do sistema que exerce suas funções dentro da ordem global: o país. A importância do pensamento e da conexão da consciência celular irá redefinir a ação desse órgão, o qual poderá emitir suas vibrações para outros órgãos e assim, como no processo do inconsciente coletivo, desenvolver a reforma dos valores, moral e ética em todas as células do organismo terreno.
Portanto, nós, como individualidade, temos papel fundamental na evolução do planeta. Toda vibração que emitimos é de nossa exclusiva responsabilidade, pois estamos contribuindo positiva ou negativamente para resolução dos problemas que assolam a Terra. Não é apenas no engajamento político ou na defesa dos princípios humanitários que podemos resolver as mazelas terrenas. Nossa atitude e nosso pensamento reordenam o nosso campo vibracional que pode alcançar e influenciar outro campo e assim sucessivamente.
Deus, portanto, quis nos ensinar que, mesmo diferentes e distantes, todos os povos do planeta fazem parte de um só corpo e que somos todos membros de um organismo vivo, que se comunica por meio de vibrações, que interage, cresce e se desenvolve, que cria enfermidades, que adoece, mas que, como a história já provou, não pode ser curado com remédios que perpetuam suas mazelas, mantendo o desequilíbrio entre as células e a desarmonia entre os órgãos.
A responsabilidade do homem como célula do organismo universal é a de ser um constante vigilante de seus pensamentos e ações em prol de uma projeção de amor e harmonia que irá abranger todos os irmãos terrenos e permitir que possamos evoluir conjuntamente rumo a uma nova etapa da nossa caminhada de busca pela lapidação de nosso diamante bruto. A reforma íntima da célula é a chave para evolução do todo.

Divisão da riqueza, socialismo e o espiritismo



“Grandes idéias florescem na mentalidade de então. Ressurgem aí, as antigas doutrinas de igualdade absoluta. Aparece o socialismo propondo reformas viscerais e imediatas. Alguns idealistas tocam a Utopia de Tomas More, ou a República perfeita idealizada por Platão. Fundam-se as alianças do anarquismo, as sociedades de caráter universal. Uma revolução sociológica de conseqüências imprevisíveis ameaça a estabilidade da própria civilização, condenado-a à destruição mais completa”. pág 204

Desse primeiro trecho do Livro “A Caminho da Luz”, entende-se que o socialismo representa um risco de ruptura do homem com seu processo de evolução, sendo um mal que pode causar a destruição da civilização humana. Concordarmos com essa posição e acrescentamos que junto com o socialismo, a distribuição igualitária da riqueza pode trazer conseqüências alarmantes para a humanidade.
A infinita bondade e amor de Deus mostram-se mais uma vez presentes em prol da evolução de seus filhos quando tratamos do tema da distribuição da riqueza e do socialismo. A visão mais generalizada a respeito destes entende que é necessário empreender reformas para garantir que a maioria das pessoas tenham acesso à riqueza do planeta, diminuindo sua concentração.
Salienta-se que repartir as posses é de fato fundamental, por meio da cooperação, pois o entendimento é de que se multiplicam as riquezas se a dividirmos. Entretanto, mais uma vez a sutileza da sabedoria divina buscou nos fazer crescer nos ensinando os princípios da moderação, da paciência, da caridade e da evolução gradual. A desigualdade existe como mecanismos para purificar os homens e somente será vencida quando a reforma íntima de cada um estiver completa.
O Evangelho Segundo o Espiritismo afirma que:

“A desigualdade das riquezas é um dos problemas que inutilmente se procurará resolver, desde que se considere apenas a vida atual. A primeira questão que se apresenta é esta: Por que não são igualmente ricos todos os homens? Não o são por uma razão muito simples: por não serem igualmente inteligentes, ativos e laboriosos para adquirir, nem sóbrios e previdentes para conservar. É, aliás, ponto matematicamente demonstrado que a riqueza, repartida com igualdade, a cada um daria uma parcela mínima e insuficiente; que, supondo efetuada essa repartição, o equilíbrio em pouco tempo estaria desfeito, pela diversidade dos caracteres e aptidões; que supondo-a possível e durável, tendo cada um somente com o que viver, o resultado seria o aniquilamento de todos os grandes trabalhos que concorrem para o progresso e bem-estar da Humanidade; que, admitido desse ela cada um o necessário, já não haveria o aguilhão que impele os homens às grandes descobertas e aos empreendimentos úteis. Se Deus a concentra em certos pontos, é para que daí se expanda em quantidade suficiente, de acordo com as necessidades”.

Isso não significa que o homem não tenha por missão ajudar, pelo princípio da caridade, seus irmãos que se encontram em condições de sofrimento e miséria. Significa sim que tudo tem uma razão de ser, e se o homem precisa aprender a repartir as riquezas, precisa, do mesmo modo compreender que essa divisão não pode ir contra a estrutura desenvolvida por Deus para nossa evolução.
Desse modo, observa-se o risco que representam as teorias socialistas, as quais, teoricamente admiráveis, não servem para o homem terreno em seu atual estágio de evolução. Antes de tratar do socialismo, entretanto, faz-se importante, pequena assertiva sobre as reformas sociais que tendem a tornar os homens mais iguais. Estas são empreendidas em momentos da história escolhidos pela espiritualidade, a fim de contribuir, em doses certas com o progresso do homem. Contudo, quando essas reformas vão além do ponto onde deveriam e extrapolam o paralelismo que deve existir entre o estágio de evolução do homem e o grau de integração social, corre-se o risco de enfrentarmos crises profundas em nosso sistema organizacional como se deu durante a Revolução Francesa:

“Aquelas renovações (da Revolução Francesa) preludiavam os mais dolorosos acontecimentos. (...) Um mundo de sombras invadia as consciências da França generosa, chamada, naquela época, pelo plano espiritual, ao cumprimento da sagrada missão junto à Humanidade sofredora. Cabia-lhe tão-somente, aproveitar as conquistas inglesas, no sentido de quebrar o cetro da realiza absoluta, organizando um novo processo administrativo na renovação dos organismos políticos do orbe, de acordo com as sábias lições dos seus filósofos e pensadores.” A Caminho da Luz pág 189.

Não cabia à França prosseguir além do que lhe fora determinado: extirpar o absolutismo e iniciar um novo processo para reformar o organismo político gradualmente. Entretanto, os franceses foram além e sofreram as conseqüências. Assim, cabe-nos velar pelo andamento das reformas que se empreendem em nosso país e no mundo. O Brasil e a América Latina estão sendo rondados pelas perigosas idéias do socialismo, como já se observa na Venezuela e na Bolívia, além de ter resquícios no Equador e na Argentina. No Brasil, o risco se apresenta na efetivação de reformas bruscas na estrutura social do país, o que pode desviar o Brasil de seu caminho de se tornar a Pátria do Evangelho.
No livro A Caminho da Luz, Emmanuel esclarece os riscos do socialismo para a humanidade:
“O Espiritismo com as verdades da reencarnação, veio explicar o absurdo das teorias igualitárias absolutas (socialismo e comunismo), cooperando na restauração do verdadeiro caminho do progresso humano. Enquadrando o socialismo nos postulados cristão, ele (os Espiritismo) não se ilude com as reformas exteriores, para concluir que a única reforma apreciável é a do homem íntimo, célula viva do organismo social de todos os tempos, pugnando pela intensificação dos movimentos educativos da criatura, à luz eterna do Evangelho do Cristo.” Pág 206.

Assim, apesar da dificuldade em admitir que não se deve empreender reformas sociais profundas, precisa-se considerar que é necessário antes, reformar o homem, a célula, para que esta esteja apta a conviver em uma sociedade mais igualitária. A consciência humana ainda é incapaz de viver harmoniosamente em uma estrutura social pautada na verdadeira cooperação, ética e moral.
Ainda de acordo com o Emmanuel, (O Espiritismo) “Despreocupado de todas as revoluções, porque somente a evolução é o seu campo de atividade e de experiência (...) ensina a fraternidade legítima dos homens e das pátrias, das famílias e dos grupos, alargando as concepções de justiça econômica e corrigindo o espírito exaltado das ideologias extremistas”. “As teorias sociais continuam tocando, muitas vezes, a curva tenebrosa do extremismo”. Pág 207.
Assim, enfatiza-se o risco de se compactuar com governos que possuem visões diversas dessas concepções espirituais de evolução do ser humano. Corremos o risco de apoiar ideologias preocupadas com a perpetuação do poder e que, para tanto, imprimem reformas sociais que vão modificar, tão somente, o lado exterior da sociedade e ainda sob o risco de fortes conflitos em virtude da não aceitação de muitos em relação às mudanças a serem empreendidas.
Cabe analisar friamente, e com base nos ensinamentos que o bom Deus nos oferta por meio de seus emissários, o verdadeiro sentido e missão da organização política em sociedade. Não devemos nos deixar iludir por reformas aparentes, mas buscar a verdadeira reforma, aquela que acontece dentro de cada um, dentro de cada ser e que vai se perpetuar por meio de vibrações de amor para toda humanidade, construindo, de fato, uma sociedade cooperativa e harmônica.

As Relações Internacionais: Cooperação e conflito entre as nações – a construção da harmonia sob a perspectiva espírita.



O campo de estudo que busca compreender a relação entre os Estados do Sistema Internacional é conhecido como Relações Internacionais. Estas permitem criar modelos de interpretação do sistema que possibilitam o entendimento acerca da ação do homem sob o mesmo. Assim, interpreta-se a ação dos Estados, especialmente, de acordo com duas visões distintas: o realismo e o liberalismo ou idealismo.
Para que possamos melhor compreender a questão da distribuição e gestão dos recursos materiais pelos Estados sob a ótica espiritual, cabe uma análise acerca dessas duas teorias das Relações Internacionais, a fim de entender como o mundo é, como deveria ser e qual a nossa responsabilidade para que ele transite harmoniosamente de uma patamar a outro.
Antes, contudo, cabe compreender como o Evangelho Segundo o Espiritismo justifica a importância das relações entre os povos, o que está no seu capítulo XVI:
“Com efeito, o homem tem por missão trabalhar pela melhoria material do planeta. Cabe-lhe desobstruí-lo, saneá-lo, dispô-lo para receber um dia a população que a sua extensão comporta. Para alimentar essa população que cresce incessantemente, preciso se faz aumentar a produção. Se a produção de um país é insuficiente, será necessário buscá-la fora. Por isso mesmo, as relações entre os povos, constituem uma necessidade. A fim de mais facilitar, cumpre sejam destruídos os obstáculos materiais que os separam e tornadas mais rápidas as comunicações.”. Assim, faz necessário estimular as relações internacionais entre os povos, para que todas possam redistribuir e compartilhar as riquezas. Para entender o estágio atual das relações, devemos verificar como os analistas percebem as relações internacionais.
A Teoria Realista das Relações Internacionais é vista por muitos analistas como dominante no estudo da política internacional. Nogueira e Messari, no livro Teoria das Relações Internacionais, apontam algumas premissas comuns ao pensamento realista, quais sejam: a centralidade do Estado como ator das Relações Internacionais; o objetivo do mesmo de sobrevivência e permanência como ator; o reconhecimento do poder como elemento central das Relações Internacionais; a ausência de uma autoridade suprema e legítima, o que caracteriza o ambiente anárquico e, por fim, como resultado dessa anarquia, como a forma utilizada para manter própria sobrevivência.
Para o pensamento realista, os Estados são atores soberanos (detêm o monopólio legítimo da força dentro do seu território e é reconhecido pela comunidade internacional), não havendo outra instituição acima dele. Os Estados buscam seus interesses nacionais definidos em termos de poder. Tais são, grosso modo, as premissas do Realismo Clássico. Em suma: os Estados são os principais agentes do Sistema Internacionais e precisavam garantir sua sobrevivência por meio da garantia de sua segurança, e, para tanto, competem por poder, o qual vai lhes garantir a possibilidade de sobrevivência em um ambiente no qual não há uma autoridade superior que possa impor a vontade diante de todos. Assim, desconsidera-se a importância do homem na política internacional, sendo a vontade do Estado (e especialmente das potências que detêm poder militar e econômico), determinantes para a condução das Relações Internacionais.
O pensamento político Utópico/ Idealista/ Liberal tem seus fundamentos firmemente estabelecidos por volta do século XVIII, principalmente com o Iluminismo, com o qual os Idealistas acreditavam que poderiam determinar de forma racional e objetiva os valores morais universais que conduziriam a vida social ulterior.
A Teoria Liberal ou idealista influenciou o pensamento das Relações Internacionais de modo a permitir o desenvolvimento de uma perspectiva que ganhou vulto quando a hegemonia do realismo é posta em dúvida (especialmente no período da distenção ou détenté – Guerra Fria), abrindo espaço para outros debates na política internacional, ao considerar questões como a importância de atores não-estatais (organizações internacionais, empresas transnacionais, indivíduos e organizações não governamentais); e a multiplicidade de indivíduos (sociais, econômicos, ambientais, etc) e grupos de interesse que afetam a Política Internacional.
Para o liberalismo, os homens são naturalmente bons, cooperativos e pacíficos, apesar das aparências negativas – com bons incentivos eles se revelam como realmente são. O sistema internacional é anárquico (ausência de autoridade suprema) na origem, mas a desordem pode ser controlada por leis e mecanismos corretos. A guerra não é necessária ou inevitável. Os atores não perseguem somente o poder. O sistema internacional pode funcionar como a sociedade doméstica privilegiando a liberdade, a igualdade e a individualidade por meio do estabelecimento de leis e canais cooperativos. Quanto aos atores, os Estados são os principais, mas são acompanhados pela crescente importância dos demais atores.
Para o realismo, a natureza humana é má, perversa, incontrolável e ambiciosa. Homens sempre buscam a realização de seus interesses pessoais. O Sistema Internacional é formado por Estados soberanos que interagem sem controle ou lei superior, em um sistema anárquico, havendo possibilidade latente de guerra. Os Estados são os únicos atores reconhecidos. A ordem no SI é dada pelo equilíbrio de poder.
Portanto interessa-nos ressaltar que os Estados são atores chave nas Relações Internacionais, mas não são os únicos que importam. Estados são entes racionais buscando maximizar seus interesses. Os Estados tendem a cooperar para atingir ganhos absolutos, tendo como obstáculo, para tanto, a possibilidade de trapaça de um Estado que vai buscar maior ganho para si. A cooperação é difícil de ser atingida, mas quando há interesses comuns e mútuo benefício, aumenta as possibilidades de sucesso.
Dessa análise, compreende-se que o mundo, em seu estágio atual, é como os realistas o colocam, e a meta do homem é alcançar o estágio que os idealistas visualizam, a fim de quebrar as barreiras e compartilhar as riquezas como ensina do Evangelho. Esse processo é lento e gradual e não pode, de forma alguma, ser interrompido por medidas bruscas que desvirtuem o homem de sua evolução, pois sua essência está na transformação do homem, a célula social que vai dirigir toda a reforma do sistema.
Cada vertente de análise prioriza, a seu modo, a cooperação e o conflito como meio de ação do Estado. Sabemos que o Evangelho Segundo o Espiritismo nos ensina a moral da cooperação para a evolução, praticando a caridade como meio de engrandecer nossa alma. Portanto, considera-se o mundo realista como o atual estágio da sociedade internacional, repleto de luta pelo poder, conflitos e competição. Entretanto, acredita-se que o idealismo já se faz presente em pequenas atitudes dos Estados que tendem a cooperar em prol do bem-comum.
Em breve, pretendemos analisar qual o papel do Brasil no seio dessa transformação da sociedade realista para a idealista, buscando compreender como as riquezas naturais e espirituais do país podem ser ferramentas para a evolução da humanidade.

Mais algumas considerações sobre as Relações Internacionais


A sabedoria de Deus possui sutilezas que a capacidade humana tem relativa dificuldade para visualizar e assimilar. Uma dessas sutis surpresas que o bondoso Pai nos forneceu para a evolução diz respeitos aos direitos humanos e sociais no plano internacional. Esses conceitos encontram aplicações distintas dentro das mais diversas nações, as quais empreendem, cada uma de acordo com seu grau de evolução (dado que cada povo tem a sociedade que melhor lhe convém para seu grau de adiantamento) os mecanismos sociais e humanos aplicados de acordo com regras diferentes.
Assim, no âmbito das Relações Internacionais, muito se discute quem pratica ou não os direitos humanos, especialmente de acordo com a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão, criada no seio das Nações Unidas em 1948. Desse modo, muitos países são criticados por empreenderem métodos de castigos ou repressão de liberdade que violam os direitos do homem.
De fato, a defesa desses direitos é princípio fundamental para harmonização da sociedade. O homem precisa aprender a agir respeitando princípios universais de comunhão, tolerância e respeito. Entretanto, cada povo com seu sistema político, empreende aquilo que acredita ser necessário para desenvolver sua sociedade, não sendo dado aos demais, a partir do princípio da autodeterminação dos povos e da não ingerência em assuntos internos, a tentativa de imprimir pela força suas convicções e pensamento. Cada nação terá de alcançar sua evolução pela caminhada diária de auto-descobrimento.
Entretanto, é possível influenciar o irmão terrenos por meio do pensamento, das vibrações e do exemplo. O exemplo da comunhão, da convivência e da cooperação, o que pode ser alcançado nos fóruns e organismos internacionais por meio do diálogo entre as nações. Essas organizações internacionais são engrenagens do processo de desenvolvimento da Terra que permitem a participação conjunta de todos os povos para que eles possam expressar suas opiniões e buscar mecanismos para vencer desafios e ultrapassar barreiras.
Criticar as organizações e sua insuficiência técnica para resolver os problemas da humanidade é desconsiderar que cada povo tem um momento distinto de evolução e que não é possível, a não ser por um processo lento e gradual de compartilhamento de idéias e influência vibracional, alcançar entendimento acerca de maior cooperação em prol do bem comum.
Portanto, a defesa dos princípios sociais e dos direitos humanos, no seio da sociedade internacional verifica-se como uma tarefa de longo prazo, que deve ser empreendida e discutida dentro dessas organizações, mas jamais impostas a nenhum povo, sob pena de interferir em seu momento de evolução e alterar o seu processo. Robson Pinheiro, no livro Gestação da Terra, aponta a importância de organismos como a ONU, mostrando a sua utilidade futura:

“Após essa noite de trevas morais (Segunda Guerra Mundial), Jesus e seus prepostos inspiraram os governantes a formar a Organização das Nações Unidas (ONU), visando auxiliar a humanidade na estruturação das coletividades terrestres. (pág 152). No futuro, quando o homem tiver ciência mais precisa do papel que lhe cabe no contexto cósmico e a humanidade compreender melhor sua destinação espiritual, a própria ONU será um espaço de encontro e reunião entre todos os povos, com base na fraternidade legítima.”

No futuro (grifa-se), a compreensão do homem estará capacitada para dar mais utilidade para a ONU. Esta utilidade está em constante debate atualmente, dada a iminência de reforma da instituição. Essa reforma é fundamental para melhorar o desempenho da mesma, a qual reflete a ordem vigente em 1945. Entretanto, todo cuidado é necessário para não levar essa reforma além do patamar necessário, sob o risco de criar um organismo que não seja aplicável ao atual momento de evolução dos seres terrenos.
A comunhão entre reformas e tempo de evolução é detalhe fundamental para não prejudicar os avanços já alcançados pelo homem. Este homem, como célula do organismo universal, é que precisa da reforma para aprender a conviver em uma sociedade (nacional e internacional) mais justa e igualitária.
Não se pode inserir a um sistema um ser que não se adapta a ele. Nesse sentido, oferecer à humanidade, em seu atual estágio de evolução, uma organização internacional que impõe direitos humanos e sociais e obriga a viver sob determinada maneira que lhe seja estranha, não contribui, mas atrasa o desenvolvimento da humanidade.
Cabe à ONU, atualmente, agir como instituição que, nos seus trabalhos, ajuda a mitigar o sofrimento dos povos mais necessitados, contribuir para conscientizar o planeta da importância da proteção ao meio ambiente, da necessidade de se unir para vencer problemas como a fome, as doenças e as droga. A ONU intui no homem os valores de cooperação, de solidariedade e de convivência harmoniosa com o diferente (pois a tolerância significa suportar, aceitar, mas não amar o diferente). A ONU, assim, serve como instrumento para iniciar a reforma da célula social, imprimindo nela a visão de que é possível coexistir pelo bem comum.
As Relações Internacionais apresentam-se como uma possibilidade enriquecedora ao homem de bem que queira aprender a compartilhar e cooperar, mas jamais podem servir para impor ideais, direitos e instituições, os quais nascem do interior de cada povo e devem condizer com seus relativos momentos de evolução.