domingo, 24 de outubro de 2010

Mais algumas considerações sobre as Relações Internacionais


A sabedoria de Deus possui sutilezas que a capacidade humana tem relativa dificuldade para visualizar e assimilar. Uma dessas sutis surpresas que o bondoso Pai nos forneceu para a evolução diz respeitos aos direitos humanos e sociais no plano internacional. Esses conceitos encontram aplicações distintas dentro das mais diversas nações, as quais empreendem, cada uma de acordo com seu grau de evolução (dado que cada povo tem a sociedade que melhor lhe convém para seu grau de adiantamento) os mecanismos sociais e humanos aplicados de acordo com regras diferentes.
Assim, no âmbito das Relações Internacionais, muito se discute quem pratica ou não os direitos humanos, especialmente de acordo com a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão, criada no seio das Nações Unidas em 1948. Desse modo, muitos países são criticados por empreenderem métodos de castigos ou repressão de liberdade que violam os direitos do homem.
De fato, a defesa desses direitos é princípio fundamental para harmonização da sociedade. O homem precisa aprender a agir respeitando princípios universais de comunhão, tolerância e respeito. Entretanto, cada povo com seu sistema político, empreende aquilo que acredita ser necessário para desenvolver sua sociedade, não sendo dado aos demais, a partir do princípio da autodeterminação dos povos e da não ingerência em assuntos internos, a tentativa de imprimir pela força suas convicções e pensamento. Cada nação terá de alcançar sua evolução pela caminhada diária de auto-descobrimento.
Entretanto, é possível influenciar o irmão terrenos por meio do pensamento, das vibrações e do exemplo. O exemplo da comunhão, da convivência e da cooperação, o que pode ser alcançado nos fóruns e organismos internacionais por meio do diálogo entre as nações. Essas organizações internacionais são engrenagens do processo de desenvolvimento da Terra que permitem a participação conjunta de todos os povos para que eles possam expressar suas opiniões e buscar mecanismos para vencer desafios e ultrapassar barreiras.
Criticar as organizações e sua insuficiência técnica para resolver os problemas da humanidade é desconsiderar que cada povo tem um momento distinto de evolução e que não é possível, a não ser por um processo lento e gradual de compartilhamento de idéias e influência vibracional, alcançar entendimento acerca de maior cooperação em prol do bem comum.
Portanto, a defesa dos princípios sociais e dos direitos humanos, no seio da sociedade internacional verifica-se como uma tarefa de longo prazo, que deve ser empreendida e discutida dentro dessas organizações, mas jamais impostas a nenhum povo, sob pena de interferir em seu momento de evolução e alterar o seu processo. Robson Pinheiro, no livro Gestação da Terra, aponta a importância de organismos como a ONU, mostrando a sua utilidade futura:

“Após essa noite de trevas morais (Segunda Guerra Mundial), Jesus e seus prepostos inspiraram os governantes a formar a Organização das Nações Unidas (ONU), visando auxiliar a humanidade na estruturação das coletividades terrestres. (pág 152). No futuro, quando o homem tiver ciência mais precisa do papel que lhe cabe no contexto cósmico e a humanidade compreender melhor sua destinação espiritual, a própria ONU será um espaço de encontro e reunião entre todos os povos, com base na fraternidade legítima.”

No futuro (grifa-se), a compreensão do homem estará capacitada para dar mais utilidade para a ONU. Esta utilidade está em constante debate atualmente, dada a iminência de reforma da instituição. Essa reforma é fundamental para melhorar o desempenho da mesma, a qual reflete a ordem vigente em 1945. Entretanto, todo cuidado é necessário para não levar essa reforma além do patamar necessário, sob o risco de criar um organismo que não seja aplicável ao atual momento de evolução dos seres terrenos.
A comunhão entre reformas e tempo de evolução é detalhe fundamental para não prejudicar os avanços já alcançados pelo homem. Este homem, como célula do organismo universal, é que precisa da reforma para aprender a conviver em uma sociedade (nacional e internacional) mais justa e igualitária.
Não se pode inserir a um sistema um ser que não se adapta a ele. Nesse sentido, oferecer à humanidade, em seu atual estágio de evolução, uma organização internacional que impõe direitos humanos e sociais e obriga a viver sob determinada maneira que lhe seja estranha, não contribui, mas atrasa o desenvolvimento da humanidade.
Cabe à ONU, atualmente, agir como instituição que, nos seus trabalhos, ajuda a mitigar o sofrimento dos povos mais necessitados, contribuir para conscientizar o planeta da importância da proteção ao meio ambiente, da necessidade de se unir para vencer problemas como a fome, as doenças e as droga. A ONU intui no homem os valores de cooperação, de solidariedade e de convivência harmoniosa com o diferente (pois a tolerância significa suportar, aceitar, mas não amar o diferente). A ONU, assim, serve como instrumento para iniciar a reforma da célula social, imprimindo nela a visão de que é possível coexistir pelo bem comum.
As Relações Internacionais apresentam-se como uma possibilidade enriquecedora ao homem de bem que queira aprender a compartilhar e cooperar, mas jamais podem servir para impor ideais, direitos e instituições, os quais nascem do interior de cada povo e devem condizer com seus relativos momentos de evolução.

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