domingo, 25 de abril de 2010

Dívidas Cármicas e as Relações entre as Nações




É comum observar, em algumas épocas da história da civilização, o temor que se dissemina entre os povos acerca do fim do mundo e da destruição da humanidade. Atualmente, a expectativa está em torno do ano de 2012, quando se acredita que haverá catástrofes causadas pela fúria divina, capazes de por um fim à história humana na Terra. Sabe-se, entretanto, que a infinita bondade e justiça de Deus não agem dessa forma, tendo sido dado aos homens a capacidade de agir de acordo com o seu livre arbítrio e zelar por aquilo que lhe foi oferecido como morada. Desse modo, como nos ensinou Chico Xavier, qualquer transformação mais trágica que venha a ocorrer no mundo virá do homem e não da bondade de Deus.
As relações entre os homens, especialmente a relação entre os diversos Estados que compõem o Sistema Internacional (compreendendo este como o conjunto de países que fazem parte do globo terrestre), são as grandes responsáveis pela emissão das energias que causam as tormentas, as quais amedrontam os homens de pouca fé. A discórdia, a ânsia por poder irrestrito, ou como diria Thomas Hobbes, a guerra de todos contra todos, desde tempos remotos, passando pelas Cruzadas e alcançando as duas Guerras Mundiais, lançaram no nosso sistema energias negativas e nos imputaram débitos que temos que pagar nos dias de hoje. Assim, ao nos depararmos com as catástrofes naturais e as demais dores do mundo, não devemos culpar a Deus, mais ao orgulho e ao egoísmos dos homens de diversas épocas que realizaram guerras de extermínio e que criaram dificuldades cármicas para a humanidade. Tudo aquilo que é semeado deve ser colhido e isto tem sido resgatado em nossa época, época de regeneração como lembra Chico Xavier.
Contudo, o homem não percebe que deve cessar os conflitos para deixar de sofrer, e continua a fazer guerras, pautadas em diferenças étnicas, religiosas, na busca por recursos naturais e na ânsia desenfreada por poder. A ocorrência de um conflito bélico de proporções mundiais, se ocorrer, debitar-se-á à ambição e ao ódio disseminado entre os homens, mas não a uma ordem divina. Portanto, a humanidade precisa frear a discórdia e disseminar a cooperação, sob pena de sofrer os danos catastróficos de humana terceira e última guerra mundial, pois a inteligência humana refinou processo de extermínio e nessa nova guerra não haverá vencedores. Se não trabalharmos coletivamente com todos os meios para evitar uma nova calamidade, incentivar o princípio da paz e promover a mensagem de Jesus Cristo, vivendo sem a idéia de hegemonia, não poderemos afastar da nossa vida a idéia da destruição da humanidade.
Enquanto não houver a compreensão de que somos diferentes, mas somos apenas um ser uno, nascidos da mesma essência divina, não saberemos cooperar em prol da evolução da humanidade rumo no mundo de regeneração. Devemos ter em mente, todavia, que este mundo não será o paraíso terreno, ao contrário, terá tantas aflições quanto se vê na situação atual, com escassez de água potável, aquecimento global, catástrofes naturais. Contudo, o homem estará em processo de evolução ética e moral e buscará harmonizar-se com os recursos que lhe estão disponíveis e poderá cooperar com seus irmãos para dividir o pouco que possui.
Diante desse contexto, torna-se imperativo que as lideranças internacionais posicionem-se em prol de uma harmonização das relações entre os povos, como ensina O Evangelho Segundo o Espiritismo:


"Com efeito, o homem tem por missão trabalhar pela melhoria material do planeta. Cabe-lhe desobstruí-lo, saneá-lo, dispô-lo para receber um dia toda a população que a sua extensão comporta. Para alimentar essa população que cresce incessantemente, preciso se faz aumentar a produção. Se a produção de um país é insuficiente, será necessário buscá-la fora. Por isso mesmo, as relações entre os povos constituem uma necessidade. A fim de mais as facilitar, cumpre sejam destruídos os obstáculos materiais que os separam e tornadas mais rápidas as comunicações. Para trabalhos que são obra dos séculos, teve o homem de extrair os materiais até das entranhas da terra; procurou na Ciência os meios de os executar com maior segurança e rapidez. Mas, para os levar a efeito, precisa de recursos: a necessidade fê-lo criar a riqueza, como o fez descobrir a Ciência. A atividade que esses mesmos trabalhos impõem lhe amplia e desenvolve a inteligência, e essa inteligência que se concentra, primeiro, na satisfação das necessidades materiais, o ajudará mais tarde a compreender as grandes verdades morais. Sendo a riqueza o meio primordial de execução, sem ela não mais grandes trabalhos, nem atividade, nem estimulante, nem pesquisas. Com razão, pois, é a riqueza considerada elemento de progresso." (O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec, cap. XVI, item 7.)


Nossa Responsabilidade é tão grande quanto são os problemas que afligem o planeta. As diversas crises pelas quais passamos nada mais são que reflexos da nossa aparente incapacidade de gerir os bens que Deus nos ofertou. Desse modo, se foi dado a mais um recurso a um povo do que a outro, do mesmo modo lhe foi dado menos de outro bem, o qual terá que buscar para além de suas fronteiras. Todavia, o homem, temendo a escassez empreende guerras em busca de garantir a posse e o controle exclusivo daquilo que lhe convém, construindo inimizades e aumentando nossa dívida cármica.
Ao Brasil, responsabilidade muito grande foi direcionada, pois o país possui riquezas incomensuráveis, possui a capacidade de agregar povos de diferentes nacionalidades sob a mesma bandeira; a imensidão de terras agricultáveis, o que o torna, para alguns, o futuro celeiro da humanidade; os recursos energéticos; a água e a missão de incentivar a cooperação entre os homens em prol de um mundo sem discórdias e conflitos. Nossa responsabilidade maior está em contribuir para que esse país possa ser uma voz ativa e compreendida no mundo. Essa responsabilidade não se resume aos líderes políticos e administradores do Estado, mas ao brasileiro como ser uno e ciente da sua capacidade de exercer a caridade e ensinar os outros a fazê-lo.
A boa notícia é que não estamos sós. Deus, que é o amor, sempre nos envia seus mensageiros de luz e paz, os quais podem intuir no homem idéias que ajudam na prosperidade humana, assim o fez com Jesus quando, ao fim da Segunda Guerra Mundial, esse nos ensinou unir os povos em prol da paz e da segurança, como aponta Robson Pinheiro, no livro Gestação da Terra:

Após essa noite de trevas morais (II Guerra), Jesus e seus prepostos inspiraram os governantes a formar a Organização das Nações Unidas (ONU), visando auxiliar a humanidade na reestruturação das coletividades terrestres. No futuro, quando o homem tiver ciência mais precisa do papel que lhe cabe no contexto cósmico e a humanidade compreender melhor sua destinação espiritual, a própria ONU será um espaço de encontro e reunião entre todos os povos, com base na fraternidade legítima. Os governantes do vosso mundo, no futuro, em um momento de maior maturidade espiritual na Terra, serão escolhidos de acordo com as inspirações do governo espiritual do planeta.


Na esperança do alvorecer de um novo tempo, acreditamos que dia virá que a humanidade estará reunida em nome do amor de Deus e seguindo os princípios do Cristo, compartilhando os bens que possui e cooperando para que ninguém padeça diante da miséria, da dor e da guerra. Nossa crença e ação devem estar voltadas para esse objetivo, sem esmorecer e sempre crentes de que isso será possível, pois se não acreditarmos nessa realidade futura, não vale a pena nossa luta diária pensada e oferecida única e exclusivamente para nós mesmos. Por isso, comecemos a mudar pensamentos, crenças e atitudes, para reconstruir as relações entre homens e nações.

Daniela Marques Medeiros
25/04/2010

domingo, 18 de abril de 2010

Consciente Coletivo e a responsabilidade individual na evolução moral da humanidade




O todo que nos cerca está em constante alteração rumo à regeneração da humanidade e passagem da Terra para uma nova etapa evolutiva. Entretanto, a raça humana tem certa dificuldade em se responsabilizar por aquilo que não está dentro da sua esfera diária e não compreende seu compromisso para com aquilo que, aparentemente, não faz parte do seu viver cotidiano.
Deus, em sua infinita bondade e misericórdia, ofereceu-nos a oportunidade de evolução a partir da vivência em um mundo de expiações, onde poderíamos por em prova nossas virtudes e testar nossa capacidade de praticar a humildade, extirpando as chagas do orgulho e do egoísmo. Entretanto, ao mesmo tempo, deparamo-nos com um mundo de prazeres, sabores, delícias, vícios e muitos riscos. Nossa vestimenta material é um mecanismo receptivo a todas essas oferendas do mundo terreno, enquanto temos nossos olhos vedados à verdadeira realidade do mundo espiritual ao qual pertencemos, ficando nossa sensibilidade como portal para nossa vida real. Pouco nos preocupamos em zelar por essa vida, enquanto nossa individualidade se ocupa do imediatismo que nos satisfaz. Assim, o todo é ignorado e nosso mundo particular torna-se nosso universo.
Assim, dominados pela matéria, deixamos que o individualismo oriente nossas ações, sem pensar em nossa responsabilidade comum diante daquilo que Deus nos ofereceu para zelar e, assim, evoluir. Porém, o amor de Deus não desiste, sempre persiste e nos permite seguir na tentativa de aprender a verdade da vida, do amor, testando nossa capacidade de conviver harmoniosamente, respeitar todos os seres que fazem parte da órbita terrestre e buscar a perfeição dos mundos superiores, onde as antíteses não são mais necessárias para se conhecer a verdade e onde a lei do amor prevalece.
Enquanto seres terrenos, zelosos de nossa individualidade, somos levados a apontar a responsabilidade para o outro, sem nos preocupar qual a nossa parcela de compromisso para com a realidade que nos cerca e mesmo a realidade que está além da nossa fronteira de convívio. Assim, fica simples culpar a administração pública, o governo, a justiça, o sistema educacional, a estrutura social e todas as outras dimensões do viver.
O ser humano é uma parte do todo e como parte deve estar harmoniosamente conectado com a energia do universo. Deste modo, como membros cientes da responsabilidade coletiva, cientes de nossas obrigações perante o todo, poderíamos revolucionar a ética e a moral da nossa realidade e caminhar juntos para o mundo de regeneração, seguindo os exemplos do Cristo de amor e caridade.
Tomar para si essa responsabilidade, enquanto próximo negligencia esse compromisso, faz-nos pensar no que estamos a perder da vida terrena, deixando de aproveitar as maravilhas que a matéria nos oferece. Todavia, nossa concepção do ganhar deve estar ligada à vida espiritual, onde estão nossas verdadeiras riquezas e prazeres.
Podemos fazer a diferença, mudar o paradigma evolutivo e contribuir para com o todo universal na realidade que nos cerca, no respeito à natureza, no respeito ao próximo, no amor, na caridade, e no exemplo que nos foi dado por Jesus. Respeito, caridade, amor e compreensão são atitudes que podem revolucionar a realidade terrestre. Cada ser cumprindo o que é do seu dever dentro da lei de divina pode estimular o vizinho a fazer o mesmo e assim sucessivamente, criando o consciente coletivo de responsabilidade comum. A mudança está no exemplo e é uma opção de cada um.
Não haverá evolução terrena enquanto cada criatura não compreender sua parcela de responsabilidade e começar a fazer parte do todo com uma nova ética e moral, entendendo que a administração pública, os sistemas e tudo que nos cerca é reflexo de nossas ações e pensamentos. Nossa sociedade é aquilo o que fazemos dela em nossas ações, em nosso dia-a-dia. Se quisermos solucionar a crise ambiental, a crise energética, a crise alimentar, a crise econômica e outras crises, devemos aprender a ceder, ceder aquilo que dirigimos à nossa individualidade, compartilhar e agir em nome do todo e não de si mesmo. Somos os verdadeiros comandantes da nação e do mundo, mas devemos aprender a operar coletiva e harmoniosamente, sob a pena de perdermos o rumo da evolução e destruir a oportunidade que Deus nos deu de zelar pelo patrimônio terreno.

Daniela Marques Medeiros
18/04/2010

domingo, 11 de abril de 2010

Evolução da Humanidade

Para compreender qual a nossa responsabilidade para com o planeta, faz-se necessário entender um pouco mais acerca da evolução da humanidade. Com vistas a contemplar este propósito, lançaremos mão da análise de dois livros: “A Caminho da Luz” de Chico Xavier, pelo espírito de Emmanuel e “Gestação da Terra” de Robson Pinheiro, pelo espírito Alex Zarthú. Como já é costume por aqui, antes de uma análise mais profunda, deixaremos um vídeo para reflexão.


sexta-feira, 9 de abril de 2010

Quem são os seus ídolos?

Na semana passada, um grupo de atletas de um renomado time de futebol brasileiro, aclamados pela população por seus êxitos em campo e pela felicidade que trazem à nação pelo fato de driblarem os adversários e colocarem a bola no gol (algo muito inteligente e perspicaz, diga-se de passagem), protagonizou uma cena digna de ser comentada. Ao visitarem instituições religiosas que cuidam de crianças, os astros brasileiros recusaram-se a entrar em uma casa espírita. Depois do ocorrido e da repercussão na mídia, os ídolos apressaram-se em procurar desculpas e em colocaram-se a disposição para fazer sua boa ação. Compreende-se, é claro, que a imagem desses atletas não foi abalada pelo ocorrido, dado o imenso prestígio de que gozam diante de sua torcida, não sendo necessários mais que um ou dois gols para se mudar de assunto.
Após o ocorrido, passei a indagar: quem são os ídolos dos jovens brasileiros? Em quem a nova geração se inspira e tem como meta de valor e vida? Com a enxurrada de mulheres fruta banalizando a figura da mulher, com um campeão de um reality show nacional que expressa grosseria e mostra-se “sem fé”, com a explosão de satisfação popular com músicas que incitam o sexo e a desmoralização da sociedade, o que se vê não deixa de ser no mínimo preocupante.
Ao mesmo tempo, observa-se a apatia política desses mesmos jovens, que pouco se movimentaram diante dos escândalos de corrupção que assolaram o país. É claro que isso não se aplica àquela parcela de pessoas comprometida com o futuro moral e ético do Brasil e do mundo. Há pessoas com valores e virtudes que podem fazer a diferença de fato. Essas pessoas não sentem vergonha em dizer que acreditam em Deus (esteja ele em uma casa espírita, uma igreja católica ou evangélica, uma mesquita ou qualquer outro lugar), não se intimidam com ameaças, e usam a inteligência, o bom-senso e o amor ao próximo para fazer o bem.
Quem são os ídolos desta geração? O vídeo abaixo mostra exemplos de ídolos que nossa geração deveria seguir.