
É comum observar, em algumas épocas da história da civilização, o temor que se dissemina entre os povos acerca do fim do mundo e da destruição da humanidade. Atualmente, a expectativa está em torno do ano de 2012, quando se acredita que haverá catástrofes causadas pela fúria divina, capazes de por um fim à história humana na Terra. Sabe-se, entretanto, que a infinita bondade e justiça de Deus não agem dessa forma, tendo sido dado aos homens a capacidade de agir de acordo com o seu livre arbítrio e zelar por aquilo que lhe foi oferecido como morada. Desse modo, como nos ensinou Chico Xavier, qualquer transformação mais trágica que venha a ocorrer no mundo virá do homem e não da bondade de Deus.
As relações entre os homens, especialmente a relação entre os diversos Estados que compõem o Sistema Internacional (compreendendo este como o conjunto de países que fazem parte do globo terrestre), são as grandes responsáveis pela emissão das energias que causam as tormentas, as quais amedrontam os homens de pouca fé. A discórdia, a ânsia por poder irrestrito, ou como diria Thomas Hobbes, a guerra de todos contra todos, desde tempos remotos, passando pelas Cruzadas e alcançando as duas Guerras Mundiais, lançaram no nosso sistema energias negativas e nos imputaram débitos que temos que pagar nos dias de hoje. Assim, ao nos depararmos com as catástrofes naturais e as demais dores do mundo, não devemos culpar a Deus, mais ao orgulho e ao egoísmos dos homens de diversas épocas que realizaram guerras de extermínio e que criaram dificuldades cármicas para a humanidade. Tudo aquilo que é semeado deve ser colhido e isto tem sido resgatado em nossa época, época de regeneração como lembra Chico Xavier.
Contudo, o homem não percebe que deve cessar os conflitos para deixar de sofrer, e continua a fazer guerras, pautadas em diferenças étnicas, religiosas, na busca por recursos naturais e na ânsia desenfreada por poder. A ocorrência de um conflito bélico de proporções mundiais, se ocorrer, debitar-se-á à ambição e ao ódio disseminado entre os homens, mas não a uma ordem divina. Portanto, a humanidade precisa frear a discórdia e disseminar a cooperação, sob pena de sofrer os danos catastróficos de humana terceira e última guerra mundial, pois a inteligência humana refinou processo de extermínio e nessa nova guerra não haverá vencedores. Se não trabalharmos coletivamente com todos os meios para evitar uma nova calamidade, incentivar o princípio da paz e promover a mensagem de Jesus Cristo, vivendo sem a idéia de hegemonia, não poderemos afastar da nossa vida a idéia da destruição da humanidade.
Enquanto não houver a compreensão de que somos diferentes, mas somos apenas um ser uno, nascidos da mesma essência divina, não saberemos cooperar em prol da evolução da humanidade rumo no mundo de regeneração. Devemos ter em mente, todavia, que este mundo não será o paraíso terreno, ao contrário, terá tantas aflições quanto se vê na situação atual, com escassez de água potável, aquecimento global, catástrofes naturais. Contudo, o homem estará em processo de evolução ética e moral e buscará harmonizar-se com os recursos que lhe estão disponíveis e poderá cooperar com seus irmãos para dividir o pouco que possui.
Diante desse contexto, torna-se imperativo que as lideranças internacionais posicionem-se em prol de uma harmonização das relações entre os povos, como ensina O Evangelho Segundo o Espiritismo:
"Com efeito, o homem tem por missão trabalhar pela melhoria material do planeta. Cabe-lhe desobstruí-lo, saneá-lo, dispô-lo para receber um dia toda a população que a sua extensão comporta. Para alimentar essa população que cresce incessantemente, preciso se faz aumentar a produção. Se a produção de um país é insuficiente, será necessário buscá-la fora. Por isso mesmo, as relações entre os povos constituem uma necessidade. A fim de mais as facilitar, cumpre sejam destruídos os obstáculos materiais que os separam e tornadas mais rápidas as comunicações. Para trabalhos que são obra dos séculos, teve o homem de extrair os materiais até das entranhas da terra; procurou na Ciência os meios de os executar com maior segurança e rapidez. Mas, para os levar a efeito, precisa de recursos: a necessidade fê-lo criar a riqueza, como o fez descobrir a Ciência. A atividade que esses mesmos trabalhos impõem lhe amplia e desenvolve a inteligência, e essa inteligência que se concentra, primeiro, na satisfação das necessidades materiais, o ajudará mais tarde a compreender as grandes verdades morais. Sendo a riqueza o meio primordial de execução, sem ela não mais grandes trabalhos, nem atividade, nem estimulante, nem pesquisas. Com razão, pois, é a riqueza considerada elemento de progresso." (O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec, cap. XVI, item 7.)
Nossa Responsabilidade é tão grande quanto são os problemas que afligem o planeta. As diversas crises pelas quais passamos nada mais são que reflexos da nossa aparente incapacidade de gerir os bens que Deus nos ofertou. Desse modo, se foi dado a mais um recurso a um povo do que a outro, do mesmo modo lhe foi dado menos de outro bem, o qual terá que buscar para além de suas fronteiras. Todavia, o homem, temendo a escassez empreende guerras em busca de garantir a posse e o controle exclusivo daquilo que lhe convém, construindo inimizades e aumentando nossa dívida cármica.
Ao Brasil, responsabilidade muito grande foi direcionada, pois o país possui riquezas incomensuráveis, possui a capacidade de agregar povos de diferentes nacionalidades sob a mesma bandeira; a imensidão de terras agricultáveis, o que o torna, para alguns, o futuro celeiro da humanidade; os recursos energéticos; a água e a missão de incentivar a cooperação entre os homens em prol de um mundo sem discórdias e conflitos. Nossa responsabilidade maior está em contribuir para que esse país possa ser uma voz ativa e compreendida no mundo. Essa responsabilidade não se resume aos líderes políticos e administradores do Estado, mas ao brasileiro como ser uno e ciente da sua capacidade de exercer a caridade e ensinar os outros a fazê-lo.
A boa notícia é que não estamos sós. Deus, que é o amor, sempre nos envia seus mensageiros de luz e paz, os quais podem intuir no homem idéias que ajudam na prosperidade humana, assim o fez com Jesus quando, ao fim da Segunda Guerra Mundial, esse nos ensinou unir os povos em prol da paz e da segurança, como aponta Robson Pinheiro, no livro Gestação da Terra:
Após essa noite de trevas morais (II Guerra), Jesus e seus prepostos inspiraram os governantes a formar a Organização das Nações Unidas (ONU), visando auxiliar a humanidade na reestruturação das coletividades terrestres. No futuro, quando o homem tiver ciência mais precisa do papel que lhe cabe no contexto cósmico e a humanidade compreender melhor sua destinação espiritual, a própria ONU será um espaço de encontro e reunião entre todos os povos, com base na fraternidade legítima. Os governantes do vosso mundo, no futuro, em um momento de maior maturidade espiritual na Terra, serão escolhidos de acordo com as inspirações do governo espiritual do planeta.
Na esperança do alvorecer de um novo tempo, acreditamos que dia virá que a humanidade estará reunida em nome do amor de Deus e seguindo os princípios do Cristo, compartilhando os bens que possui e cooperando para que ninguém padeça diante da miséria, da dor e da guerra. Nossa crença e ação devem estar voltadas para esse objetivo, sem esmorecer e sempre crentes de que isso será possível, pois se não acreditarmos nessa realidade futura, não vale a pena nossa luta diária pensada e oferecida única e exclusivamente para nós mesmos. Por isso, comecemos a mudar pensamentos, crenças e atitudes, para reconstruir as relações entre homens e nações.
Daniela Marques Medeiros
25/04/2010
