
O todo que nos cerca está em constante alteração rumo à regeneração da humanidade e passagem da Terra para uma nova etapa evolutiva. Entretanto, a raça humana tem certa dificuldade em se responsabilizar por aquilo que não está dentro da sua esfera diária e não compreende seu compromisso para com aquilo que, aparentemente, não faz parte do seu viver cotidiano.
Deus, em sua infinita bondade e misericórdia, ofereceu-nos a oportunidade de evolução a partir da vivência em um mundo de expiações, onde poderíamos por em prova nossas virtudes e testar nossa capacidade de praticar a humildade, extirpando as chagas do orgulho e do egoísmo. Entretanto, ao mesmo tempo, deparamo-nos com um mundo de prazeres, sabores, delícias, vícios e muitos riscos. Nossa vestimenta material é um mecanismo receptivo a todas essas oferendas do mundo terreno, enquanto temos nossos olhos vedados à verdadeira realidade do mundo espiritual ao qual pertencemos, ficando nossa sensibilidade como portal para nossa vida real. Pouco nos preocupamos em zelar por essa vida, enquanto nossa individualidade se ocupa do imediatismo que nos satisfaz. Assim, o todo é ignorado e nosso mundo particular torna-se nosso universo.
Assim, dominados pela matéria, deixamos que o individualismo oriente nossas ações, sem pensar em nossa responsabilidade comum diante daquilo que Deus nos ofereceu para zelar e, assim, evoluir. Porém, o amor de Deus não desiste, sempre persiste e nos permite seguir na tentativa de aprender a verdade da vida, do amor, testando nossa capacidade de conviver harmoniosamente, respeitar todos os seres que fazem parte da órbita terrestre e buscar a perfeição dos mundos superiores, onde as antíteses não são mais necessárias para se conhecer a verdade e onde a lei do amor prevalece.
Enquanto seres terrenos, zelosos de nossa individualidade, somos levados a apontar a responsabilidade para o outro, sem nos preocupar qual a nossa parcela de compromisso para com a realidade que nos cerca e mesmo a realidade que está além da nossa fronteira de convívio. Assim, fica simples culpar a administração pública, o governo, a justiça, o sistema educacional, a estrutura social e todas as outras dimensões do viver.
O ser humano é uma parte do todo e como parte deve estar harmoniosamente conectado com a energia do universo. Deste modo, como membros cientes da responsabilidade coletiva, cientes de nossas obrigações perante o todo, poderíamos revolucionar a ética e a moral da nossa realidade e caminhar juntos para o mundo de regeneração, seguindo os exemplos do Cristo de amor e caridade.
Tomar para si essa responsabilidade, enquanto próximo negligencia esse compromisso, faz-nos pensar no que estamos a perder da vida terrena, deixando de aproveitar as maravilhas que a matéria nos oferece. Todavia, nossa concepção do ganhar deve estar ligada à vida espiritual, onde estão nossas verdadeiras riquezas e prazeres.
Podemos fazer a diferença, mudar o paradigma evolutivo e contribuir para com o todo universal na realidade que nos cerca, no respeito à natureza, no respeito ao próximo, no amor, na caridade, e no exemplo que nos foi dado por Jesus. Respeito, caridade, amor e compreensão são atitudes que podem revolucionar a realidade terrestre. Cada ser cumprindo o que é do seu dever dentro da lei de divina pode estimular o vizinho a fazer o mesmo e assim sucessivamente, criando o consciente coletivo de responsabilidade comum. A mudança está no exemplo e é uma opção de cada um.
Não haverá evolução terrena enquanto cada criatura não compreender sua parcela de responsabilidade e começar a fazer parte do todo com uma nova ética e moral, entendendo que a administração pública, os sistemas e tudo que nos cerca é reflexo de nossas ações e pensamentos. Nossa sociedade é aquilo o que fazemos dela em nossas ações, em nosso dia-a-dia. Se quisermos solucionar a crise ambiental, a crise energética, a crise alimentar, a crise econômica e outras crises, devemos aprender a ceder, ceder aquilo que dirigimos à nossa individualidade, compartilhar e agir em nome do todo e não de si mesmo. Somos os verdadeiros comandantes da nação e do mundo, mas devemos aprender a operar coletiva e harmoniosamente, sob a pena de perdermos o rumo da evolução e destruir a oportunidade que Deus nos deu de zelar pelo patrimônio terreno.
Daniela Marques Medeiros
18/04/2010
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