domingo, 24 de outubro de 2010

Divisão da riqueza, socialismo e o espiritismo



“Grandes idéias florescem na mentalidade de então. Ressurgem aí, as antigas doutrinas de igualdade absoluta. Aparece o socialismo propondo reformas viscerais e imediatas. Alguns idealistas tocam a Utopia de Tomas More, ou a República perfeita idealizada por Platão. Fundam-se as alianças do anarquismo, as sociedades de caráter universal. Uma revolução sociológica de conseqüências imprevisíveis ameaça a estabilidade da própria civilização, condenado-a à destruição mais completa”. pág 204

Desse primeiro trecho do Livro “A Caminho da Luz”, entende-se que o socialismo representa um risco de ruptura do homem com seu processo de evolução, sendo um mal que pode causar a destruição da civilização humana. Concordarmos com essa posição e acrescentamos que junto com o socialismo, a distribuição igualitária da riqueza pode trazer conseqüências alarmantes para a humanidade.
A infinita bondade e amor de Deus mostram-se mais uma vez presentes em prol da evolução de seus filhos quando tratamos do tema da distribuição da riqueza e do socialismo. A visão mais generalizada a respeito destes entende que é necessário empreender reformas para garantir que a maioria das pessoas tenham acesso à riqueza do planeta, diminuindo sua concentração.
Salienta-se que repartir as posses é de fato fundamental, por meio da cooperação, pois o entendimento é de que se multiplicam as riquezas se a dividirmos. Entretanto, mais uma vez a sutileza da sabedoria divina buscou nos fazer crescer nos ensinando os princípios da moderação, da paciência, da caridade e da evolução gradual. A desigualdade existe como mecanismos para purificar os homens e somente será vencida quando a reforma íntima de cada um estiver completa.
O Evangelho Segundo o Espiritismo afirma que:

“A desigualdade das riquezas é um dos problemas que inutilmente se procurará resolver, desde que se considere apenas a vida atual. A primeira questão que se apresenta é esta: Por que não são igualmente ricos todos os homens? Não o são por uma razão muito simples: por não serem igualmente inteligentes, ativos e laboriosos para adquirir, nem sóbrios e previdentes para conservar. É, aliás, ponto matematicamente demonstrado que a riqueza, repartida com igualdade, a cada um daria uma parcela mínima e insuficiente; que, supondo efetuada essa repartição, o equilíbrio em pouco tempo estaria desfeito, pela diversidade dos caracteres e aptidões; que supondo-a possível e durável, tendo cada um somente com o que viver, o resultado seria o aniquilamento de todos os grandes trabalhos que concorrem para o progresso e bem-estar da Humanidade; que, admitido desse ela cada um o necessário, já não haveria o aguilhão que impele os homens às grandes descobertas e aos empreendimentos úteis. Se Deus a concentra em certos pontos, é para que daí se expanda em quantidade suficiente, de acordo com as necessidades”.

Isso não significa que o homem não tenha por missão ajudar, pelo princípio da caridade, seus irmãos que se encontram em condições de sofrimento e miséria. Significa sim que tudo tem uma razão de ser, e se o homem precisa aprender a repartir as riquezas, precisa, do mesmo modo compreender que essa divisão não pode ir contra a estrutura desenvolvida por Deus para nossa evolução.
Desse modo, observa-se o risco que representam as teorias socialistas, as quais, teoricamente admiráveis, não servem para o homem terreno em seu atual estágio de evolução. Antes de tratar do socialismo, entretanto, faz-se importante, pequena assertiva sobre as reformas sociais que tendem a tornar os homens mais iguais. Estas são empreendidas em momentos da história escolhidos pela espiritualidade, a fim de contribuir, em doses certas com o progresso do homem. Contudo, quando essas reformas vão além do ponto onde deveriam e extrapolam o paralelismo que deve existir entre o estágio de evolução do homem e o grau de integração social, corre-se o risco de enfrentarmos crises profundas em nosso sistema organizacional como se deu durante a Revolução Francesa:

“Aquelas renovações (da Revolução Francesa) preludiavam os mais dolorosos acontecimentos. (...) Um mundo de sombras invadia as consciências da França generosa, chamada, naquela época, pelo plano espiritual, ao cumprimento da sagrada missão junto à Humanidade sofredora. Cabia-lhe tão-somente, aproveitar as conquistas inglesas, no sentido de quebrar o cetro da realiza absoluta, organizando um novo processo administrativo na renovação dos organismos políticos do orbe, de acordo com as sábias lições dos seus filósofos e pensadores.” A Caminho da Luz pág 189.

Não cabia à França prosseguir além do que lhe fora determinado: extirpar o absolutismo e iniciar um novo processo para reformar o organismo político gradualmente. Entretanto, os franceses foram além e sofreram as conseqüências. Assim, cabe-nos velar pelo andamento das reformas que se empreendem em nosso país e no mundo. O Brasil e a América Latina estão sendo rondados pelas perigosas idéias do socialismo, como já se observa na Venezuela e na Bolívia, além de ter resquícios no Equador e na Argentina. No Brasil, o risco se apresenta na efetivação de reformas bruscas na estrutura social do país, o que pode desviar o Brasil de seu caminho de se tornar a Pátria do Evangelho.
No livro A Caminho da Luz, Emmanuel esclarece os riscos do socialismo para a humanidade:
“O Espiritismo com as verdades da reencarnação, veio explicar o absurdo das teorias igualitárias absolutas (socialismo e comunismo), cooperando na restauração do verdadeiro caminho do progresso humano. Enquadrando o socialismo nos postulados cristão, ele (os Espiritismo) não se ilude com as reformas exteriores, para concluir que a única reforma apreciável é a do homem íntimo, célula viva do organismo social de todos os tempos, pugnando pela intensificação dos movimentos educativos da criatura, à luz eterna do Evangelho do Cristo.” Pág 206.

Assim, apesar da dificuldade em admitir que não se deve empreender reformas sociais profundas, precisa-se considerar que é necessário antes, reformar o homem, a célula, para que esta esteja apta a conviver em uma sociedade mais igualitária. A consciência humana ainda é incapaz de viver harmoniosamente em uma estrutura social pautada na verdadeira cooperação, ética e moral.
Ainda de acordo com o Emmanuel, (O Espiritismo) “Despreocupado de todas as revoluções, porque somente a evolução é o seu campo de atividade e de experiência (...) ensina a fraternidade legítima dos homens e das pátrias, das famílias e dos grupos, alargando as concepções de justiça econômica e corrigindo o espírito exaltado das ideologias extremistas”. “As teorias sociais continuam tocando, muitas vezes, a curva tenebrosa do extremismo”. Pág 207.
Assim, enfatiza-se o risco de se compactuar com governos que possuem visões diversas dessas concepções espirituais de evolução do ser humano. Corremos o risco de apoiar ideologias preocupadas com a perpetuação do poder e que, para tanto, imprimem reformas sociais que vão modificar, tão somente, o lado exterior da sociedade e ainda sob o risco de fortes conflitos em virtude da não aceitação de muitos em relação às mudanças a serem empreendidas.
Cabe analisar friamente, e com base nos ensinamentos que o bom Deus nos oferta por meio de seus emissários, o verdadeiro sentido e missão da organização política em sociedade. Não devemos nos deixar iludir por reformas aparentes, mas buscar a verdadeira reforma, aquela que acontece dentro de cada um, dentro de cada ser e que vai se perpetuar por meio de vibrações de amor para toda humanidade, construindo, de fato, uma sociedade cooperativa e harmônica.

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