domingo, 24 de outubro de 2010

As Relações Internacionais: Cooperação e conflito entre as nações – a construção da harmonia sob a perspectiva espírita.



O campo de estudo que busca compreender a relação entre os Estados do Sistema Internacional é conhecido como Relações Internacionais. Estas permitem criar modelos de interpretação do sistema que possibilitam o entendimento acerca da ação do homem sob o mesmo. Assim, interpreta-se a ação dos Estados, especialmente, de acordo com duas visões distintas: o realismo e o liberalismo ou idealismo.
Para que possamos melhor compreender a questão da distribuição e gestão dos recursos materiais pelos Estados sob a ótica espiritual, cabe uma análise acerca dessas duas teorias das Relações Internacionais, a fim de entender como o mundo é, como deveria ser e qual a nossa responsabilidade para que ele transite harmoniosamente de uma patamar a outro.
Antes, contudo, cabe compreender como o Evangelho Segundo o Espiritismo justifica a importância das relações entre os povos, o que está no seu capítulo XVI:
“Com efeito, o homem tem por missão trabalhar pela melhoria material do planeta. Cabe-lhe desobstruí-lo, saneá-lo, dispô-lo para receber um dia a população que a sua extensão comporta. Para alimentar essa população que cresce incessantemente, preciso se faz aumentar a produção. Se a produção de um país é insuficiente, será necessário buscá-la fora. Por isso mesmo, as relações entre os povos, constituem uma necessidade. A fim de mais facilitar, cumpre sejam destruídos os obstáculos materiais que os separam e tornadas mais rápidas as comunicações.”. Assim, faz necessário estimular as relações internacionais entre os povos, para que todas possam redistribuir e compartilhar as riquezas. Para entender o estágio atual das relações, devemos verificar como os analistas percebem as relações internacionais.
A Teoria Realista das Relações Internacionais é vista por muitos analistas como dominante no estudo da política internacional. Nogueira e Messari, no livro Teoria das Relações Internacionais, apontam algumas premissas comuns ao pensamento realista, quais sejam: a centralidade do Estado como ator das Relações Internacionais; o objetivo do mesmo de sobrevivência e permanência como ator; o reconhecimento do poder como elemento central das Relações Internacionais; a ausência de uma autoridade suprema e legítima, o que caracteriza o ambiente anárquico e, por fim, como resultado dessa anarquia, como a forma utilizada para manter própria sobrevivência.
Para o pensamento realista, os Estados são atores soberanos (detêm o monopólio legítimo da força dentro do seu território e é reconhecido pela comunidade internacional), não havendo outra instituição acima dele. Os Estados buscam seus interesses nacionais definidos em termos de poder. Tais são, grosso modo, as premissas do Realismo Clássico. Em suma: os Estados são os principais agentes do Sistema Internacionais e precisavam garantir sua sobrevivência por meio da garantia de sua segurança, e, para tanto, competem por poder, o qual vai lhes garantir a possibilidade de sobrevivência em um ambiente no qual não há uma autoridade superior que possa impor a vontade diante de todos. Assim, desconsidera-se a importância do homem na política internacional, sendo a vontade do Estado (e especialmente das potências que detêm poder militar e econômico), determinantes para a condução das Relações Internacionais.
O pensamento político Utópico/ Idealista/ Liberal tem seus fundamentos firmemente estabelecidos por volta do século XVIII, principalmente com o Iluminismo, com o qual os Idealistas acreditavam que poderiam determinar de forma racional e objetiva os valores morais universais que conduziriam a vida social ulterior.
A Teoria Liberal ou idealista influenciou o pensamento das Relações Internacionais de modo a permitir o desenvolvimento de uma perspectiva que ganhou vulto quando a hegemonia do realismo é posta em dúvida (especialmente no período da distenção ou détenté – Guerra Fria), abrindo espaço para outros debates na política internacional, ao considerar questões como a importância de atores não-estatais (organizações internacionais, empresas transnacionais, indivíduos e organizações não governamentais); e a multiplicidade de indivíduos (sociais, econômicos, ambientais, etc) e grupos de interesse que afetam a Política Internacional.
Para o liberalismo, os homens são naturalmente bons, cooperativos e pacíficos, apesar das aparências negativas – com bons incentivos eles se revelam como realmente são. O sistema internacional é anárquico (ausência de autoridade suprema) na origem, mas a desordem pode ser controlada por leis e mecanismos corretos. A guerra não é necessária ou inevitável. Os atores não perseguem somente o poder. O sistema internacional pode funcionar como a sociedade doméstica privilegiando a liberdade, a igualdade e a individualidade por meio do estabelecimento de leis e canais cooperativos. Quanto aos atores, os Estados são os principais, mas são acompanhados pela crescente importância dos demais atores.
Para o realismo, a natureza humana é má, perversa, incontrolável e ambiciosa. Homens sempre buscam a realização de seus interesses pessoais. O Sistema Internacional é formado por Estados soberanos que interagem sem controle ou lei superior, em um sistema anárquico, havendo possibilidade latente de guerra. Os Estados são os únicos atores reconhecidos. A ordem no SI é dada pelo equilíbrio de poder.
Portanto interessa-nos ressaltar que os Estados são atores chave nas Relações Internacionais, mas não são os únicos que importam. Estados são entes racionais buscando maximizar seus interesses. Os Estados tendem a cooperar para atingir ganhos absolutos, tendo como obstáculo, para tanto, a possibilidade de trapaça de um Estado que vai buscar maior ganho para si. A cooperação é difícil de ser atingida, mas quando há interesses comuns e mútuo benefício, aumenta as possibilidades de sucesso.
Dessa análise, compreende-se que o mundo, em seu estágio atual, é como os realistas o colocam, e a meta do homem é alcançar o estágio que os idealistas visualizam, a fim de quebrar as barreiras e compartilhar as riquezas como ensina do Evangelho. Esse processo é lento e gradual e não pode, de forma alguma, ser interrompido por medidas bruscas que desvirtuem o homem de sua evolução, pois sua essência está na transformação do homem, a célula social que vai dirigir toda a reforma do sistema.
Cada vertente de análise prioriza, a seu modo, a cooperação e o conflito como meio de ação do Estado. Sabemos que o Evangelho Segundo o Espiritismo nos ensina a moral da cooperação para a evolução, praticando a caridade como meio de engrandecer nossa alma. Portanto, considera-se o mundo realista como o atual estágio da sociedade internacional, repleto de luta pelo poder, conflitos e competição. Entretanto, acredita-se que o idealismo já se faz presente em pequenas atitudes dos Estados que tendem a cooperar em prol do bem-comum.
Em breve, pretendemos analisar qual o papel do Brasil no seio dessa transformação da sociedade realista para a idealista, buscando compreender como as riquezas naturais e espirituais do país podem ser ferramentas para a evolução da humanidade.

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