Brasil,
Coração do Mundo, Pátria do Evangelho! No início dessa grande obra da
literatura espírita, Humberto de Campos relata a decisão do Cristo de
transplantar para a “Terra do Cruzeiro” a árvore do seu Evangelho.
Anteriormente, a Palestina figurava como o local escolhido para receber a
mensagem do bem, do amor e da transformação moral da humanidade que caminha na
sua trajetória evolutiva.
A
missão espiritual do Brasil é, atualmente, analisada e debatida em vários
círculos de estudo. Busca-se entender, lançando mão da interdisciplinaridade, o
que o Brasil tem para oferecer em um momento de transição do mundo de expiação
para o mundo de regeneração.
O
Brasil é um país conciliador e articulador de consensos, que tem como
princípios da ação internacional a defesa da paz e a solução pacífica de
controvérsias. O povo brasileiro carrega a esperança e a felicidade em tudo que
faz. O otimismo e a crença em dias melhores impulsionam essa população de
guerreiros que atravessa as adversidades com a certeza de que tudo vai dar
certo. Brilha no Brasil um sol intenso e vibra no brasileiro a energia do bem.
Divaldo Franco postula que o Brasil desempenhará
sua missão espiritual quando houver maturidade emocional e maturidade espiritual
suficientes que permitam ao povo compartilhar de suas riquezas de maneira
honrada e digna, sem escravizar outros povos, a fim de que a fraternidade entre
as nações se estabeleça e para que o comércio não se dê entre a soberania de um
povo e a opressão de outro. Mas de que comércio falamos? Não seria a missão do
Brasil exportar valores éticos e morais? Sim! Também! Todavia, além de celeiro
da prática do bem e da caridade, o Brasil é celeiro dos recursos naturais e
agrícolas da humanidade. É reservada missão de comportar o abastecimento diante
da escassez, porém, não é possível fazê-lo explorando. Deve haver a dignidade
da partilha igualitária.
Aqui
chegamos a um ponto fundamental! A igualdade! Palavra de ordem que insufla os
ânimos e ascende a esperança. A questão 806 do Livro do Espíritos
esclarece:
CAPÍTULO
IX
DA LEI
IGUALDADE
Desigualdades sociais
Desigualdades sociais
806. É
lei da Natureza a desigualdade das condições sociais?
“Não; é
obra do homem e não de Deus.”
a) -
Algum dia essa desigualdade desaparecerá?
“Eternas somente as leis de
Deus o são. Não vês que dia a dia ela gradualmente se apaga? Desaparecerá
quando o egoísmo e o orgulho deixarem de predominar. Restará apenas a
desigualdade do merecimento. Dia virá em que os membros da grande família dos
filhos de Deus deixarão de considerar-se como de sangue mais ou menos puro. Só
o Espírito é mais ou menos puro e isso não depende da posição social.”
A questão nos mostra que haverá um dia em que a
desigualdade terá seu fim e a meritocracia se fará presente como meio de
distinção entre os indivíduos. Contudo, para se alcançar esta igualdade,
caminhada silenciosa e profunda deve ser feita no íntimo de cada indivíduo,
célula do organismo universal. A resposta a todas as mudanças está no silêncio
do interior de cada consciência. Somente a ação persistente na reforma íntima
abrirá o caminho para a igualdade que se busca.
A verdadeira reforma deve ser feita no interior do ser e não
na superfície da sociedade, como o fazem as revoluções, como pedem as
manifestações!! É como subir um degrau de cada vez na escada da evolução!!
As modificações na estrutura política, econômica e social
brasileira foram resultado de um processo pacífico, lento e gradual, sem
alterações bruscas e violentas, ao contrário do que ocorre nas revoluções.
Estas, quando se considera o contexto da Revolução Francesa, por exemplo, e a
definição apresentada por Norberto Bobbio, estão relacionadas à criação de uma
nova ordem, à ruptura com o passado opressor e desigual, utilizando-se da força
e da violência, visando a um novo governo libertador, que, muitas vezes,
sabemos que não o é, pois só representa outros interesses.
A pauta é legítima, dignidade, saúde, educação. Sábio, porém,
é aquele que luta não contra a corrupção, mas em prol dos valores éticos e
morais. Lutar contra a corrupção é reforçá-la. Em muitos levantes
revolucionários anteriores, forças escusas utilizaram a insatisfação do povo
para tomarem a liderança e abusar do poder.
Os riscos de uma revolução no Brasil não compensam os
supostos ganhos que se reconhecem em países que passaram por processo
revolucionário, de modo que a estabilidade política e a tradição pacifista são
avanços que devem ser valorizados e preferidos ao caos revolucionário.
O fato de não ter passado por um processo revolucionário no
curso de sua história fortaleceu a identidade pacifista, negociadora e de
respeito às leis e instituições políticas nacionais. No Brasil, tanto a
proclamação da independência quanto a da república foram processos
relativamente pacíficos que não podem ser qualificados como revolucionários, pois
estão mais relacionados à substituição das autoridades políticas no poder e
devem ser caracterizados como golpe de Estado, do mesmo modo que o golpe
militar de 1964.
As alterações profundas na estrutura política, jurídica e
socioeconômica do Brasil foram graduais e resultantes de um processo mais
amplo.
As mudanças que tiveram curso no Brasil foram lentas e ocorreram ao longo de décadas de transformação do modelo colonial e dependente, de forma que Caio Prado Júnior, já na década de 1940, afirmava que o Brasil ainda não tinha completado a transição de economia colonial para a nacional. A estrutura herdada da colonização portuguesa foi transformada no decorrer do século XX, quando o país implementou o modelo de industrialização por substituição de importações, quando se tornou mais urbano que rural, quando permitiu o sufrágio universal e, especialmente, quando passou a combater a cordialidade (na concepção apresentada por Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil), fazendo que a burocracia sobressaísse ao paternalismo.
As mudanças que tiveram curso no Brasil foram lentas e ocorreram ao longo de décadas de transformação do modelo colonial e dependente, de forma que Caio Prado Júnior, já na década de 1940, afirmava que o Brasil ainda não tinha completado a transição de economia colonial para a nacional. A estrutura herdada da colonização portuguesa foi transformada no decorrer do século XX, quando o país implementou o modelo de industrialização por substituição de importações, quando se tornou mais urbano que rural, quando permitiu o sufrágio universal e, especialmente, quando passou a combater a cordialidade (na concepção apresentada por Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil), fazendo que a burocracia sobressaísse ao paternalismo.
Observa-se que, quando Sérgio Buarque de Holanda buscou
identificar os obstáculos que travaram a modernização do Brasil e procurou
entender como o passado deveria ser abolido para instaurar uma ordem
democrática e popular no país, ele via revolução no Brasil como processo e não
na concepção de Norberto Bobbio.
Considerando-se a sociedade brasileira contemporânea,
qualquer revolução, por mais nobres que sejam seus objetivos, pode
desequilibrar por completo a estrutura alcançada pelo país e tirar o mesmo do
seu objetivo de desenvolvimento e inserção internacional e, principalmente,
desviar o país de sua missão espiritual.
A história nos dá provas de que acontecimentos sociais
interferem na missão espiritual. O livro “A Caminho da Luz” é uma fonte de
exemplos quase inesgotáveis. Vejamos o exemplo da França. O livro Gestação da
Terra também é uma boa indicação a respeito.
A Revolução Francesa foi antecedida pelas reflexões do
iluminismo e da independência dos Estados Unidos da América, assolados pela
opressão de um governo extravagante e Luís XVI, o povo via a fome aumentar
junto com o preço do pão. Era o prenúncio das transformações dolorosas no mundo
político Ocidental. Engana-se aquele que acredita que toda transformação deve
ser pelo caminho da dor. O amor é a fonte verdadeira do bem.
A Revolução, que deveria, a princípio, ter servido como
espaço para retirar da França os resquícios do feudalismo e da exploração,
abrindo espaço para a chegada do Consolador, perdeu o rumo de sua trajetória.
As transformações que tomam lugar na França, deveriam servir para aproveitar as
conquistas inglesas no plano econômico e fazer o mesmo no plano político e
administrativo. Deveria “quebrar o cetro da realeza absoluta, organizando uma
nova administração e renovação dos
organismos políticos do orbe.”. Logo viria Kardec e sua iluminada mensagem
espiritual. “Todavia, se alguns Espíritos se encontravam preparados para a
jornada heroica daquele fim de século, muitas outras personalidades,
infelizmente, espreitavam na treva o momento psicológico para saciar a sede de
sangue e de poder.”. Todo cuidado é
pouco. Neste momento, é possível que ressurjam as antigas doutrinas de
igualdade absoluta. Aparecerão ideologias propondo reformas radicais e
imediatas.
“Grandes ideias florescem na mentalidade de então. Ressurgem
aí, as antigas doutrinas de igualdade absoluta. Aparece o socialismo propondo
reformas viscerais e imediatas. Alguns idealistas tocam a Utopia de Tomas More,
ou a República perfeita idealizada por Platão. Fundam-se as alianças do
anarquismo, as sociedades de caráter universal. Uma revolução sociológica de
conseqüências imprevisíveis ameaça a estabilidade da própria civilização,
condenado-a à destruição mais completa”. Isso está postulado na página 204 do
livro “A Caminho da Luz”.
Desse primeiro trecho do Livro “A Caminho da Luz”, entende-se
que as mudanças bruscas representam um
risco de ruptura do homem com seu processo de evolução. A infinita bondade e
amor de Deus mostram-se mais uma vez presentes em prol da evolução de seus
filhos quando tratamos do tema da distribuição da riqueza e do socialismo.
A desigualdade existe como mecanismos para purificar os
homens e somente será vencida quando a reforma íntima de cada um estiver
completa. Isto não é uma defesa da
miséria e opressão. Jamais. Saibamos diferenciar.
O Evangelho Segundo o Espiritismo afirma que:
O Evangelho Segundo o Espiritismo afirma que:
“A desigualdade das riquezas é um dos problemas que
inutilmente se procurará resolver, desde que se considere apenas a vida atual.
A primeira questão que se apresenta é esta: Por que não são igualmente ricos
todos os homens? Não o são por uma razão muito simples: por não serem
igualmente inteligentes, ativos e laboriosos para adquirir, nem sóbrios e
previdentes para conservar. É, aliás, ponto matematicamente demonstrado que a
riqueza, repartida com igualdade, a cada um daria uma parcela mínima e
insuficiente; que, supondo efetuada essa repartição, o equilíbrio em pouco
tempo estaria desfeito, pela diversidade dos caracteres e aptidões; que
supondo-a possível e durável, tendo cada um somente com o que viver, o
resultado seria o aniquilamento de todos os grandes trabalhos que concorrem
para o progresso e bem-estar da Humanidade; que, admitido desse ela cada um o
necessário, já não haveria o aguilhão que impele os homens às grandes
descobertas e aos empreendimentos úteis. Se Deus a concentra em certos pontos, é
para que daí se expanda em quantidade suficiente, de acordo com as
necessidades”.
Isso não significa que o homem não tenha por missão ajudar,
pelo princípio da caridade, seus irmãos que se encontram em condições de
sofrimento e miséria. Significa sim que tudo tem uma razão de ser, e se o homem
precisa aprender a repartir as riquezas, precisa, do mesmo modo, compreender
que essa divisão não pode ir contra a estrutura desenvolvida por Deus para
nossa evolução.
Desse modo, observa-se o risco que representam as teorias de
igualdade absoluta, as quais, teoricamente admiráveis, não servem para o homem
terreno em seu atual estágio de evolução. Antes de tratar do socialismo,
entretanto, faz-se importante, pequena assertiva sobre as reformas sociais que
tendem a tornar os homens mais iguais. Estas são empreendidas em momentos da
história escolhidos pela espiritualidade, a fim de contribuir, em doses certas
com o progresso do homem. Contudo, quando essas reformas vão além do ponto onde
deveriam e extrapolam o paralelismo que deve existir entre o estágio de
evolução do homem e o grau de integração social, corre-se o risco de
enfrentarmos crises profundas em nosso sistema organizacional como se deu
durante a Revolução Francesa.
Não cabia à França prosseguir além do que lhe fora
determinado: extirpar o absolutismo e iniciar um novo processo para reformar o
organismo político gradualmente. Cabe-nos velar pelo andamento das reformas que se empreendem
em nosso país e no mundo. No Brasil, o risco se apresenta na efetivação de
reformas bruscas na estrutura social do país, o que pode desviar o Brasil de
seu caminho de se tornar a Pátria do Evangelho.
No livro A Caminho da Luz, Emmanuel esclarece os riscos do
socialismo para a humanidade: “O Espiritismo com as verdades da reencarnação, veio explicar
o absurdo das teorias igualitárias absolutas (socialismo e comunismo),
cooperando na restauração do verdadeiro caminho do progresso humano.
Enquadrando o socialismo nos postulados cristão, ele (os Espiritismo) não se
ilude com as reformas exteriores, para concluir que a única reforma apreciável
é a do homem íntimo, célula viva do organismo social de todos os tempos,
pugnando pela intensificação dos movimentos educativos da criatura, à luz
eterna do Evangelho do Cristo.” Pág 206.
Assim, apesar da dificuldade em admitir que não se deve
empreender reformas sociais profundas, precisa-se considerar que é necessário
antes, reformar o homem, a célula, para que esta esteja apta a conviver em uma
sociedade mais igualitária. A consciência humana ainda é incapaz de viver
harmoniosamente em uma estrutura social pautada na verdadeira cooperação.
Ainda de acordo com o Emmanuel, (O Espiritismo)
“Despreocupado de todas as revoluções, porque somente a evolução é o seu campo
de atividade e de experiência (...) ensina a fraternidade legítima dos homens e
das pátrias, das famílias e dos grupos, alargando as concepções de justiça
econômica e corrigindo o espírito exaltado das ideologias extremistas”.
“As teorias sociais continuam tocando, muitas vezes, a curva
tenebrosa do extremismo”. Pág 207. Assim, enfatiza-se o risco de se compactuar com governos que
possuem visões diversas dessas concepções espirituais de evolução do ser
humano. Corremos o risco de apoiar ideologias preocupadas com a perpetuação do
poder e que, para tanto, imprimem reformas sociais que vão modificar, tão
somente, o lado exterior da sociedade e ainda sob o risco de fortes conflitos
em virtude da não aceitação de muitos em relação às mudanças a serem
empreendidas.
Cabe analisar friamente, e com base nos ensinamentos que o
bom Deus nos oferta por meio de seus emissários, o verdadeiro sentido e missão
da organização política em sociedade. Não devemos nos deixar iludir por
reformas aparentes, mas buscar a verdadeira reforma, aquela que acontece dentro
de cada um, dentro de cada ser e que vai se perpetuar por meio de vibrações de
amor para toda humanidade, construindo, de fato, uma sociedade cooperativa e
harmônica.
Ao Brasil, foi reservada a missão de evangelizar o mundo. Os
brasileiros serão como os primeiros cristãos escravos políticos em Roma e que
confortavam o povo com a mensagem de luz. Assim será o Brasil, Coração do
Mundo, Pátria do Evangelho. Para tanto, necessário se faz que o brasileiro
mude, antes de tudo, sua postura íntima, deixando o oportunismo, o
patrimonialismo, o “jeitinho”, a sonegação e tantas falhas morais que ainda
assolam o país. Antes de sair e gritar por reformas nas ruas, devemos analisar o quanto esse governo não reflete o povo que ele governa! Cada povo tem os líderes que merece! Iniciemos a mudança em nossos corações e nossas mentes, para mudar a estrutura política. A mudança deve ocorrer de célula em célula para contagiar o
organismo. Caminhamos para uma nova era, na qual o Brasil despertará como
centro de amor, paz e justiça. Que assim seja.
Daniela Marques Medeiros
Daniela Marques Medeiros
JÁ ESTAMOS VISLUMBRANDO O LIMIAR DESSE TEMPO NOVO, COM O ADVENTO DA GERAÇÃO NOVA JÁ PRESENTE NO BRASIL E EM VÁRIAS PARTES DO MUNDO. SEGUNDO OS ORIENTADORES ESPIRITUAIS,A PARTIR DE 2025,200.000 MIL ESPÍRITOS ELEVADOS ENCARNARÃO NA TERRA PARA A EXPANSÃO DA LUZ EM DIAS TORMENTOSOS.A DOUTRINA ESPÍRITA TEM PAPEL PREPONDERANTE NESSA ERA DE TRANSIÇÃO.PREPAREMO-NOS.
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